Quinta-feira , Novembro 23 2017
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Bruno Magalhães reage e conta a “verdade”

Bruno Magalhães reage e conta a “verdade”

Depois de na semana passada ter saido a decisão do Tribunal da Apelação Nacional onde não lhe foi atribuida razão nos factos ocorridos no recente Rallye Vinho Madeira, o piloto lisboeta Bruno Magalhães vem agora explicar a sua visão dos factos.

“A Verdade

Caros Amigos,

Esta declaração apenas é feita agora, dado que considerei que deveria esperar pela decisão do Tribunal de Apelação da FPAK.

Sou licenciando pela FPAK desde 1999 , tendo construído uma carreira da qual me orgulho, com muitos sucessos e alguns contratempos, mas sempre com uma atitude de grande desportivismo perante os ralis, organizadores, público e concorrentes adversários. Tenho uma história longa, sem nunca ter estado envolvido em qualquer situação menos clara no desporto automóvel.

Este ano, voltei a conseguir reunir condições para estar presente no meu rali de eleição, o Rali Vinho da Madeira, no qual obtive 4 vitórias e também tive alguns contratempos, como 2 furos nos quais assumi as minhas responsabilidades sem colocar qualquer suspeição no ar. Tenho sido um dos pilotos que tem lutado sistematicamente pela vitória nesta prova, tendo tido a oportunidade de a discutir no mínimo 7 vezes até ao último troço, sem que nada de anormal se tenha passado.

Lutei pela vitória com enormes pilotos como Basso, Vitor Sá, Miguel Nunes, dos quais me tornei amigo. Vitórias e derrotas sempre festejadas com grande desportivismo e com a sensação de dever cumprido, felicitando os meus adversários pela correção e luta digna ao cronómetro.
Podia, em 2013, não ter ajudado o Basso a encontrar o caminho para o pódio antes do último controlo horário, pois o seu co-piloto estava “perdido” por não conhecer bem a Madeira? Podia, mas não era minha intenção ganhar dessa forma. Eu e o Nuno Rodrigues da Silva indicámos o caminho e ele conseguiu controlar na sua hora perto do limite, ganhando dessa forma o direito a festejar a merecida vitória conquistada na estrada. Podia em 2015, no final da especial do terreiro da luta, numa altura em que estava em terceiro do rali, assistir à perca das notas por parte do Miguel Nunes e ter ignorado de forma a dificultar a sua prova quando comandava? Podia, mas os nossos princípios levaram a que imediatamente parássemos para ir buscar o caderno de notas que havia sido esquecido e entregar aos líderes do rali, Miguel Nunes e João Paulo, de forma a terem todas as possibilidades de fazer a sua prova naturalmente e lutarmos de igual para igual dentro dos troços.

Falando em 2016, parece que de repente tudo mudou!! Fomos altamente prejudicados por uma grande pedra no meio da estrada, que projetou o nosso carro para um barranco, o qual felizmente estava lá, pois se fosse uma ravina, tão popular nesta prova, podia ter consequências graves para os tripulantes, para a viatura e eventualmente para espectadores!! O engraçado, no meio disto tudo, é que ninguém com responsabilidades se questionou acerca da presença desta pedra, não procuraram até ao momento saber a sua origem de forma a apurar a VERDADE!

É neste contexto, que fiquei estupefato com as palavras ao Jornal Autosport do Diretor de Prova do RVM 2016. Ao invés de abrir um inquérito, que seria a melhor forma de proteger os interesses e imagem da prova que dirige, preferiu fazer declarações com base em intuições. Preferiu um discurso baseado em suposições, dizendo que na Madeira caem pedras todos os dias. Venho informar que não sou um novato nestas estradas, tendo participado neste grande evento pela primeira vez em 1999, pelo que me considero um profundo conhecedor das mesmas, como comprovam os meus resultados. Cabe também dizer que, muito provavelmente, já passei mais vezes no sitio em questão (entre reconhecimentos e prova) do que muitas pessoas ligadas ao rali alguma vez farão em toda a sua vida! A atitude de contornar os factos não é digno de um rali de grande qualidade e prestigio, não tendo protegido os concorrentes, pois acredito que todos os que arriscam a vida para abrilhantar a prova que dirige têm o direito de saber como aquela pedra foi ali parar após a passagem do carro 0. Ou será que afinal não havia pedra nenhuma!?? O diretor de qualquer evento, seja ele desportivo, musical ou outro, tem por obrigação averiguar quando algo de anormal se passa, de forma a proteger os intervenientes, a organização e esclarecer a opinião pública. Assim, ficámos a saber que o que acontece de anormal nas provas é sempre obra do acaso!! Lamentável, também o facto de não aceitarem ouvir o comissário de estrada, conforme nosso pedido, uma vez que este havia afirmado peremptoriamente que tinha sido lá colocada a pedra, tal como uma pessoa pôde testemunhar em entrevista na RTP Madeira. Foi-nos informado que o que o comissário de estrada diria não seria relevante, pois não é juiz de facto, no entanto na mesma entrevista o diretor de prova diz que reportaram ao CCD que a classificativa tinha sido interrompida por informação do mesmo comissário. Em que ficamos? Conta ou não conta para nada o que este comissário diz? Ou será que só conta quando convém? Isto mostra mais uma vez que não pretenderam apurar a verdade dos factos!!

Como todos puderam ver, uma pedra grande e consistente conseguiu levantar cerca de 1400 kg (peso do carro e pilotos). Como sabem as pedras não caem do céu, nem de árvores, pelo que se tivesse havido uma derrocada no curto espaço de tempo entre a nossa passagem e o carro zero (estrada estava totalmente limpa segundo as suas declarações), certamente que trazia consigo areia, terra ou pedras mais pequenas, não estaria em plena trajetória com tudo o resto limpo em seu redor. Isto é mais do que óbvio e apenas não vê quem não quer! Vi pouca gente questionar a origem da pedra! Será que não interessa? Não foi importante? Assistimos também a comentadores com responsabilidade a contradizerem-se, pois se rapidamente se apressaram a afirmar que não havia duvidas que a pedra tinha sido lá colocada usando os seus argumentos, quando souberam que íamos a caminho do troço seguinte deixámos rapidamente de ser os prejudicados e passámos a “vilões”, afinal a “tal pedra posta” em poucos segundos já tinha pernas e tinha lá ido parar sozinha. Foram lamentáveis estas declarações, o facto de nós continuarmos em prova muda a forma como a pedra foi lá parar??

Mas, como a lei não protege os pilotos neste caso, foquemos a nossa atenção no que interessa para a tomada de decisão do Colégio de Comissários Desportivos. Fui penalizado porque alegadamente fiz um bloqueio de estrada. Como posso bloquear uma estrada e o concorrente nº4 (o segundo na estrada) passar no local por mim e nem sequer parar? O que se vê claramente, sou eu no lado da estrada a pedir para abrandar, o concorrente passa por mim, desvia-se das pedras e passa pelo meu carro que estava encostado à berma e, como podem também verificar, retoma a aceleração como é bem audível, decidindo parar por auto recreação mais à frente, abandonando a viatura no meio da estrada de portas abertas, impossibilitando desta forma a passagem dos concorrentes seguintes. Assim, por razões de segurança e após espectadores virem para a estrada, não podíamos ter outra atitude senão mandar parar o concorrente nº1 de forma a evitar um acidente. Como pode o concorrente nº4 então fazer declarações públicas a dizer que não decidiu parar, mas sim que tinha sido impedido de passar? O vídeo apresentado desmente categoricamente as afirmações do concorrente nº4, as quais contribuíram para a decisão do CCD de me penalizar. O concorrente nº4 também se contradiz, pois primeiro afirma que foi impedido de passar e mais tarde, em outra entrevista, diz que parou pois pensava que podia haver alguém debaixo do carro. Afinal em que ficamos? Parou porque foi obrigado pois a estrada estava bloqueada ou porque pensava que estava lá alguém debaixo do carro? Resta referir que em momento algum afirmei ou pensei que a pedra no meio da estrada tivesse sido obra de algum concorrente, tendo afirmado isso publicamente, pelo que considero lamentáveis as declarações do co-piloto do concorrente nº 4, que afirmou na televisão que tudo isto tinha sido um plano engendrado por mim para ganhar o RVM pela 5ª vez!! Se alguma coisa é transparente são as minhas vitórias alcançadas na ilha da Madeira, em que nunca fomos beneficiados por alguma questão extra rali ou regulamentar. Importa repor a verdade e dizer também que a minha participação no RVM 2016 deveu-se apenas e exclusivamente ao investimento dos meus patrocinadores, ao contrário da suspeição levantada pelo co-piloto do carro nº4 !!

Assim, resta dizer que nem sempre é fácil provar a verdade, mas o vídeo irá ajudar as pessoas a fazerem a sua análise fria do que se passou.

Cumprimentos, de quem foi pela 5ª vez o mais rápido na estrada no RVM!
Bruno Magalhães”

 

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