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ASO polémica neste Dakar (por João Carlos Costa)

ASO polémica neste Dakar (por João Carlos Costa)

O jornalista e comentador da Eurosport, João Carlos Costa publicou na sua página do facebook a sua visão sobre o Dakar até aqui relativamente às decisões que a organização tem tomado e que está a alterar a verdade desportiva e também o espirito do verdadeiro Dakar que foi concebido pelo falecido Thierry Sabine (falecido à 30 anos).

“A ASO queimou os fusíveis no calor de Bélen e perdeu-se nas dunas de Fiambalá.
A ASO está a gozar com os pilotos e as marcas envolvidas (mesmo as beneficiadas), com os fãs e com todos os que tentam fazer um trabalho profissional, dia após dia, nos meios de comunicação. A uns torna-os meros fantoches, a outros simples figurantes a quem não se deve respeito, e a nós, na comunicação, torna-nos mentirosos, vendedores de uma banha que nem de cobra é.
A ASO achou por bem, desde o primeiro dia, travestir as classificações.
A ASO começou por dizer que o prólogo não contava e depois contou. E nunca explicou porquê.
A ASO, ontem, foi mais longe. Deu-se ao luxo de publicar um comunicado onde dizia que a 9ª etapa tinha por final CP1, ao mesmo tempo que apresentava tempos e classificações dos pilotos noutro ponto, um WP mais à frente.
A ASO conseguiu depois, numa reviravolta sem explicação, ofereceu-nos, bem noite dentro, uma outra classificação, onde tinha em conta todos os tempos de CP1, acrescentados de um tempo realizado pelo mais lento dos pilotos que chegara ao final do percurso, mas sem que fosse esse o ponto de cronometragem. Esse era antes um outro local, não especificado, mais ou menos 30 minutos antes.
A ASO conseguia assim, de uma forma ardilosa, evitar os tempos nominais que não têm razão de ser num Dakar. Mas, de facto, o que fizeram foi atribuir um tempo nominal, fictício para mais, ou pelo menos não propriamente explicado, pois há muitas contas que não batem certo.
A ASO, hoje, passado um dia, volta atrás na decisão atribuindo apenas a um piloto (Paulo Gonçalves) uma penalização extra de 51m57s – sim, porque aos 39m56s que aparecem na folha convém acrescentar a “penalização” negativa de 11m01s que o português da Honda tinha do auxílio a Walkner.
A ASO voltou a não explicar de forma clara a razão para esta penalização. Fala-se no bivouac, porque este ano parece faltar tinta para comunicados, que a mesma tem a ver com o facto de Paulo Gonçalves ter beneficiado da neutralização do troço para continuar em prova.
A ASO também não explicou o porquê da “factura” em tempo – 51m57s. Terá Paulo ido contra a algo na letra do regulamento? E a pena para essa eventual falta é uma coima de 51m57s?
A ASO terá feito novas contas, por exemplo sido tomado em consideração o momento em que o português arrancou depois da primeira paragem prolongada na pista? Mas se foi isso, tal como ontem, a alteração devia aparecer no tempo total, não na forma de uma penalização.
A ASO, no meio disto tudo, esqueceu-se de penalizar todos os outros que ficaram na pista, sobretudo entre CP1 e CP2, muitos a mando da organização, mas muitos mais sem hipótese de chegar ao fim da especial, e que só não desistiram da prova, tal como o português, porque a etapa foi interrompida.
A ASO mostrou com esta decisão que ser piloto de uma marca oficial e estar na luta pela vitória merece tratamento diferenciado e penalizador.
A ASO esqueceu-se que o piloto penalizado, hoje, na 10ª etapa, arriscou a vida para tentar manter-se na luta pelo pódio. Sabendo-se tão atrasado, se calhar teria deixado a prova ou cingir-se-ia ao trabalho de “mochileiro”.
A ASO o que fez hoje foi com que todos os pilotos duvidem dos tempos que lhe são atribuídos. Porque não é o “cronómetro” que conta, antes a vontade do “cronometrista”.
A ASO mais não fez que atribuir uma penalização fictícia a um piloto, pressionada por outras marcas. QUE ISTO FIQUE CLARO!
A ASO vai ter que se explicar face ao protesto da Honda. E essa é a única parte positiva do mesmo, porque o estrago está feito.
A ASO sai de toda esta situação com uma enorme “penalização” por incompetência, pouco comum numa organização deste calibre.
A ASO deixou perceber que Marc Coma pode ter sido um grande piloto mas é um permeável Director de Corrida…
A ASO não tem de mudar o lugar da prova. Tem antes que mudar a estrutura de decisão!
A ASO, na véspera de um dia onde se comemoram os 30 anos da morte do seu fundador, não soube fazer jus à sua memória. É que Thierry Sabine também tomava decisões polémicas, muitas vezes inconcebíveis, mas não era permeável e nunca voltava a cara quando era preciso explicar as decisões tomadas.”

 

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