Sexta-feira , Agosto 17 2018
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Citroen amealhou pontos preciosos na roleta monegasca

Citroen amealhou pontos preciosos na roleta monegasca

Após as dificuldades sentidas no início desta edição do Rali de Monte-Carlo, o Citroën Total Abu Dhabi World Rally Team revelou grande firmeza de caráter e determinação, progredindo gradualmente na Classificação Geral. No final, a equipa garantiu importantes pontuações nos Campeonatos de Pilotos e de Construtores.

 

 

O RALI EM RESUMO

A força das grandes equipas está na capacidade de se manterem unidas e produzirem resultados, mesmo quando as coisas estão difíceis. Com os 17 pontos conquistados por Kris Meeke no Campeonato de Pilotos, incluindo 5 da vitória alcançada na Power Stage, e com os 18 pontos somados ao registo da equipa no Campeonato de Construtores, o Citroën Total Abu Dhabi WRT provou, este fim-de-semana, no Mónaco, toda a sua força de caráter, após um início frustrante.

Infelizmente, Kris Meeke e Paul Nagle tiveram alguns problemas na Etapa de abertura, que se disputou ao cair da noite de quinta-feira, na difícil Especial de Thoard-Sisteron (36,69km), onde a neve, que cobria uma secção de três quilómetros perto do cume do Col de Fontbelle, acabou por apanhar muitas das equipas. Depois de terem perdido quase dois minutos nesta primeira Especial, o seu rali estava já programado para seguir um caminho diferente do inicialmente planeado.

Mas o pior estava ainda por chegar para Craig Breen e Scott Martin, eles que também foram alvo do azar na manhã de sexta-feira, quando uma pedra se alojou numa das jantes do seu C3 WRC, danificando o tubo de sangramento das pinças dos travões. Isto fez com que, gradualmente, o carro ficasse sem travões durante as três outras Especiais que compunham a ronda, apesar das tentativas de efetuar reparações de recurso, levando-os a cair da 7ª para a 10ª posição, com a súbita perda de três minutos.

Este golpe de azar foi ainda mais duro para Breen e Martin porque os obrigou a serem os primeiros a sair para a estrada na Etapa do dia seguinte (sábado), deixando literalmente desenhada uma linha na neve, que serviria depois como guia para as restantes equipas que se lhes seguiram na ordem de saída. Nestas condições, é fácil perder-se o ímpeto e, em especial, porque esta edição do Rali de Monte-Carlo acabou por se revelar como uma das mais difíceis dos últimos anos, com muitas variações nas condições de aderência nas estradas utilizadas em todas as suas quatro Etapas.

Porém, o Citroën Total Abu Dhabi WRT manteve-se focado na sua missão e nos seus objetivos, com a “Armada Vermelha” a nunca se enganar no que respeita às escolhas de pneus. Da mesma forma, o set-up do C3 WRC de Kris Meeke foi progressivamente afinado, o que lhe permitiu recuperar a confiança e manter-se no 5º lugar à Geral, enquanto Craig Breen aproveitou todas as oportunidades que lhe surgiram para recordar, a todos, do que é capaz, tanto em talento como em andamento: no último troço de sábado rubricou um 3º melhor tempo, a apenas 2,2s do mais rápido, garantindo, depois, novo 3º melhor tempo na segunda passagem pelo mítico Col de Turini. A equipa acabou por ver recompensada a sua persistência e determinação quando Meeke reclamou a vitória na última Especial e ascendeu ao 4º lugar da Geral, aguentando, com sucesso, um conjunto de repetidos ataques por parte dos seus adversários.

 

PERGUNTAS A PIERRE BUDAR, DIRETOR DO CITROËN RACING TEAM

O que achou do estado de espírito da equipa durante o seu primeiro rali nestas funções?

“Com este tempo tão imprevisível e as dificuldades daí resultantes em fazer a escolha certa de pneus, devo dizer que o Monte-Carlo não é a forma mais fácil de sermos apresentados ao WRC! Dito isto, fiquei impressionado com a forma como a informação é partilhada pela equipa, entre engenheiros, meteorologistas, técnicos da Michelin e assim por diante. A comunicação foi boa e o ambiente de trabalho foi construtivo e isso augura um futuro promissor. Da mesma forma, gostaria de prestar homenagem ao desempenho e à união dos nossos mecânicos, principalmente na noite de sábado, quando trabalharam em conjunto para mudar a caixa de velocidades do C3 WRC do Kris Meeke, ao mesmo tempo que ajustavam as afinações do chassis, tudo feito em pouco tempo.”

Como avalia o desempenho dos seus pilotos?

“Com os infortúnios sofridos pelo Craig e pelo Kris nos primeiros troços, ambos ficaram, infelizmente, bem longe do seu próprio ritmo, mas ambos mostraram uma firmeza de caráter exemplar e não perderam a coragem. O Craig fez alguns bons tempos quando as condições lhe voltaram a ser favoráveis. Quanto ao Kris, depois de ter perdido confiança no set-up inicial, resistiu muito bem à tentação de se lançar numa luta da qual, à partida, sabíamos que dificilmente sairia vencedor. Ele optou por esperar pela chegada da sua oportunidade, mostrando uma excelente gestão do rali e uma grande experiência. Começou bem o Campeonato de Pilotos, muito embora tenhamos consciência de que temos de continuar a trabalhar de forma a sermos ainda mais eficazes em todo o tipo de pisos.”

Quais as áreas em que tenciona trabalhar mais no futuro?

“Julgo que temos uma noção clara do que, em certas condições, está a funcionar bem no C3 WRC, mas também o que não está a funcionar tão bem. Mas o melhor tempo obtido pelo Kris na Power Stage mostrou, mais uma vez, que o carro é extremamente rápido. Quando ambos ali alcançaram pontos de bonificação não se pode dizer que é uma vitória de segunda classe!”

 

EM DESTAQUE

A primeira vitória de sempre numa Power Stage

Com 26 vitórias em troços cronometrados, em 9 das 13 provas do calendário de 2017 do Campeonato do Mundo de Ralis, o Citroën C3 WRC já demonstrou, em diversas ocasiões, que possui um andamento genuíno. Contudo, nunca antes tinha vencido uma Power Stage, aquela que é a última Especial em todos os ralis e onde são atribuídos pontos adicionais (5 para o mais rápido, 4 para o 2º e assim por diante até 1 ponto para o 5º melhor tempo no troço). Eis, portanto, mais uma alínea a ser riscada da lista.

Este resultado mostra, também, os grandes progressos alcançados durante o inverno, dado que há muitos pilotos que dão tudo por tudo na Power Stage, numa tentativa de obter esses pontos extra, principalmente os que não têm mais nada a perder em termos de classificação. Kris Meeke e Paul Nagle foram os mais rápidos entre La Cabanette e Col de Braus, durante os seus 14 quilómetros de estradas irregulares, estreitas e muito técnicas.

Com o 4º lugar nesta última Especial – resultado totalmente merecido – e com os pontos acumulados, Meeke e Nagle deram, em conjunto, uma verdadeira recompensa a uma equipa que não hesitou em redobrar os seus esforços durante o defeso.

 

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