Segunda-feira , Agosto 20 2018
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Citroen com progressos evidentes na Suécia

Citroen com progressos evidentes na Suécia

O desempenho de Craig Breen no passado fim de semana fez do Citroën Total Abu Dhabi WRT um dos protagonistas do Rali da Suécia. No final da prova, a equipa não só assegurou o quarto pódio para o C3 WRC, como conservou o 3º lugar no Mundial de Construtores.

 

 

O RALI EM RESUMO

É uma história pouco comum para um irlandês: foi sobre um lago gelado escandinavo que Craig Breen conduziu, pela primeira vez, um verdadeiro carro de ralis. Fê-lo num curso de condução oferecido pelos seus pais num Natal, tinha ele 15 anos. Foi também sobre o gelo sueco que mais tarde, em 2014, então com 28 anos, Breen disputou a sua primeira prova ao volante de um WRC, antes de defender em 2016 e pela primeira vez, as cores da Citroën Racing na clássica jornada nórdica. Vem, talvez, daí o carinho que dedica a este autêntico templo de patinagem, onde até à data contava com um 5º lugar, obtido em 2017, como melhor resultado entre as suas várias participações na prova.

Aproveitando na perfeição a sua boa posição na estrada – era o 9º a entrar para os troços no primeiro dia de competição – Breen fez uma demonstração das suas qualidades de equilibrista ao longo dessa etapa, alcançando dois melhores tempo em outras tantas especiais, resultados que o levaram a terminar o dia na 4ª posição, a apenas 0,5 segundos do pódio provisório. Tendo plena confiança no seu C3 WRC nestas especiais tão rápidas, Breen elevaria ainda mais a fasquia no segundo dia do rali, ascendendo ao 2º lugar e chegando a estar a apenas 4,2 segundos do líder, posição que segurou depois de, entre outros resultados, ter alcançado o seu terceiro tempo mais rápido nesta edição do Rali da Suécia.

Mas a concorrência que o seguia provou não querer facilitar-lhe a vida, pressionando-o constantemente, sendo necessário manter uma cadência forte para resistir aos ataques, algo que Craig Breen e Scott Martin conseguiram, terminando a etapa de domingo com a confirmação do 2º lugar, naquele que é o seu melhor resultado no WRC. Ao mesmo tempo ofereceram ao C3 WRC o quarto pódio da sua ainda jovem carreira.

Um pódio que também foi cobiçado por Mads Ostberg, piloto que ficou a apenas 1,1 segundos do 3º lugar na noite de sexta-feira, provando a sua rápida ligação ao C3 WRC, nesta prova que marcou o seu regresso à “Armada Vermelha”. Até então, foi ele o último piloto Citroën a assegurar um pódio na Suécia, em 2014. Ainda em fase de aprendizagem da sua nova montada, o norueguês terminou o rali na 6ª posição, amealhando pontos importantes para o Campeonato de Construtores.

Quem também queria somar alguns pontos nesta prova, para o Campeonato de Pilotos, era Kris Meeke, piloto que esteve na ingrata posição de ter de limpar a neve acumulada, ao ser o 4º a entrar para os troços, fruto do resultado obtido em Monte-Carlo. Vendo-se longe da luta pelos lugares da frente, fez o possível para recuperar, mas sem sucesso devido ao contacto com uma parede de neve, que provocou a quebra do turbo do C3 WRC, obrigando-o a um inglório abandono.

 

PERGUNTAS A PIERRE BUDAR, DIRETOR DO CITROËN RACING TEAM

Esperava esta performance do Craig nesta prova?

“Acredito que muito poucos esperavam este andamento por parte dele, pelo menos a este nível. Claro que sempre acreditei no Craig, mas ainda assim trocou-nos as voltas, mostrando-se muito rápido e constante. O que ele fez neste fim de semana foi simplesmente fantástico, procurando, com uma enorme regularidade, manter o 2º lugar, demonstrando uma maestria digna de um piloto mais experiente. Foi, decerto, um novo passo na sua progressão. Aliás, deve haver uma história de amor entre ele e os ralis escandinavos, porque depois do 3º lugar alcançado na Finlândia em 2016, é na Suécia que ele obtém o melhor resultado da sua jovem carreira no WRC.”

É, também, a confirmação dos progressos do C3 WRC…

“De facto, é a prova do potencial do nosso carro. Também confirma a validade do trabalho feito na versão de terra desde a última edição do Rali do Suécia, nomeadamente em termos de geometrias de suspensão, amortecedores, distribuição de binário entre os eixos ou mesmo nas configurações do diferencial central pilotado. Se tal nos obrigou a esforços na ampliação da janela operacional, estamos constantemente a melhorar o desenvolvimento do C3 WRC, pelo que este resultado é uma ilustração perfeita disso. Finalmente é também uma justa recompensa para a equipa, pessoas que investiram largas horas nos testes de preparação, colocando literalmente 5 dias de testes num período de quatro.”


 

Qual a sua opinião sobre as prestações do Kris e do Mads?

“O regresso do Mads à equipa é certamente positivo: ele fez uma prova regular, apesar da sua falta de experiência com o C3 WRC, e conquistou valiosos pontos para a equipa. Ele também nos trouxe uma abordagem diferente em termos de configurações, tendo, sem dúvida, dado ao Craig dicas interessantes na definição do seu próprio set-up. Agora vamos estudar em conjunto que oportunidades haverá para se repetir esta experiência. Quanto ao Kris, a sua prova foi condicionada pela posição na estrada no primeiro dia, mas ele cumpriu perfeitamente o papel de líder, tentando juntar alguns pontos ao pecúlio, apesar da sua desventura. A sorte não esteve do lado dele pois o pequeno erro não deveria ter tido as consequências que teve. Mas há um lado positivo, pois vai beneficiar de uma posição de partida favorável no México, prova que venceu há um ano.”

 

EM DESTAQUE

Com apenas 9,3 segundos de avanço sobre o seu adversário mais direto à partida do último dia, Craig Breen assegurou o 2º lugar na especial de Likenas (21,19 km), ganhando 1 segundo ao seu rival na primeira passagem, para na segunda o bater em mais 3,1 segundos, entrando para os 9,56 km da última especial do rali com 13,4 segundos de avanço. Algo que Scott Martin teve o privilégio de testemunhar…

“A primeira especial de domingo foi verdadeiramente decisiva. Sabíamos que Likenas nos era favorável, pois o Craig adora-a, no sentido literal, e já em 2017 tínhamos aproveitado. Para além disso, as condições de neve eram perfeitas. Metade do traçado é extremamente rápido e foi neste tipo de especiais que estivemos mais confortáveis ao longo do fim de semana. Sabíamos que se fizéssemos um troço sem falhas o tempo iria refleti-lo. No carro não se sentiu que fosse um grande ataque, mas o Craig adotou imediatamente um bom ritmo, mantendo-o até final, mostrando-se simultaneamente muito concentrado e relaxado. Esta primeira passagem reforçou a ideia de que poderíamos manter o Mikkelsen à distância”.

 

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