Quinta-feira , Dezembro 14 2017
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História Rali de Portugal por…Luis Caramelo

História Rali de Portugal por…Luis Caramelo

No seguimento do nosso desafio o nosso amigo Luís Caramelo enviou-nos mais uma história sobre o Rali de Portugal.

Foi referente ao ano de 1996 e os intervenientes desta feita são os “tugas” Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva).

 

“1996 – A VITÓRIA DO RUI MADEIRA

Em 1995, Rui Madeira tinha sido “Campeão do Mundo” de grupo N e ganhara o este mesmo agrupamento no Rali de Portugal, pelo que muito naturalmente tentava em 1996 uma carreira aos comandos de um carro de grupo A.

Foi um ano de começo difícil, porque tudo estava apontado para serem disputadas algumas provas do WRC, mas a prova portuguesa não contava este ano senão para a Taça FIA de carros de 2L, pelo que as indecisões sucediam-se até que – com a bênção da Galp (pela mão amiga do saudoso José Carpinteiro Albino – e contando com mais alguns patrocinadores – entre os quais a incontornável “Construciv”, propriedade da família Madeira – lá se avançou para um contacto com a Ford, levado a sério por Malcom Wilson, que se deslocou a Portugal para uma reunião tripartida; Madeira / Ford Lusitana / Malcom Wilson.

 

Da reunião sairia uma espécie de fumo branco… Convencidos de que a Ford Lusitana tudo faria para apoiar a participação de Madeira, tudo foi confirmado numa Conferência de Imprensa que decorreu no Altis – conjuntamente com uma acção da Ford – em que o próprio Madeira, anunciou – convenhamos já meio incrédulo – a sua participação na prova, aos comandos de um Ford Escort Cosworth com as cores da Galp…

A história estava um pouco mal contada, pois mesmo estando interessados nesta ligação a Rui Madeira,  os responsáveis pela Ford em Portugal estavam também sujeitos a pressões e solicitações de apoio por parte de equipas nacionais, cuja fidelidade à marca acabariam por pesar no “deixar cair” de uma situação que realmente nunca estiveram em condições de assumir…

Madeira ficava em maus lençóis e na altura começamos a pensar numa solução alternativa, que passava pela Escuderia Grifone de Fabrizio Tabaton; Um telefonema bastou para marcar um teste ao carro perto de Génova – dois dias depois – mas faltava “convencer” o Zé Carpinteiro Albino… Afinal ligar um Toyota à Galp, quanto em Portugal o importador recomendava Móbil, não seria tarefa fácil…

Entre o “são malucos”, passando pelo “carro não presta”, tudo ouvimos – eu o Rui e o Nuno – mas no final, compreendendo que havia mesmo hipóteses de se conseguir o carro, lá foi dada “ordem de marcha” ao Rui para rumar a Génova.

Antes da prova em si, há ainda uma situação divertida, que se passou com a minha família e o Rui e a Paula – ainda namorados… – na minha casa ali perto de Alvalade.

Reportando-me as suas aventuras em Génova – o teste não tinha servido para grande coisa pois a pista estava intransitável de tanta lama… – avaliávamos o que o Tabaton tinha prometido e o Rui lá ia dizendo que o carro poderia servir para obter um bom resultado… Eu aí disse-lhe: «Qual bom resultado? Nós vamos lá para ganhar… Então no ano passado foste o melhor português, ganhaste o Grupo N e este ano queres o quê? Vamos para ganhar e é o ano ideal, pois sem as fábricas, tens todas as possibilidades de o conseguir…»

O Rui “caiu” literalmente para cima do sofá, “caindo” numa realidade que pela primeira vez lhe era comunicada directamente. Confessou-me depois que pouco dormiu nessa noite – nem eu… – mas o mais importante é que a mudança de atitude se tinha consumado.

O Rui que era e ainda é,  um grande piloto, não tinha o melhor carro, mas acreditou que podia bater toda a gente e foi isso que aconteceu. Afinal só faltava ele acreditar, já que alguns de nós – o Zé Carpinteiro Albino, o Miguel e eu próprio –  já “sabíamos” que o Rali de Portugal 1996 era a altura ideal para que um português tentasse nova vitória.

E isso só o Rui conseguiria naquela altura, pelo que não pude evitar uma grande emoção, quando ele e o Nuno, subiram ao pódio final na Figueira da Foz e me “perseguiram” com os saborosos jactos do champanhe da vitória!”

 

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