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Mex Machado analisa desempenho da FPAK em 2015

Mex Machado analisa desempenho da FPAK em 2015

O final de um ano é tradicionalmente tempo de reflexão, e também tempo de se formularem desejos, que, geralmente, pretendem preencher expectativas para o futuro. Esse poderia ser o caminho escolhido para esta mensagem de final de ano, mas, infelizmente essa missão torna-se difícil no meio do desporto motorizado, pois é fácil perceber que muito pouco foi feito no sentido de preparar caminhos novos e viáveis para esse futuro que muitos desejamos.

Em 2015 a nossa Federação foi lançando algumas medidas, na minha opinião, de forma algo avulsa, que verdade seja dita, conseguiram ainda assim muitas delas melhorar algumas coisas, mas no seu todo, estamos ainda muito aquém do desejável e possível. Não chega “tentar” fazer, é preciso “fazer acontecer” e criar bases sólidas para uma mudança efetiva e de acordo com a atual realidade… que não é boa. Confundir MUDANÇAS com PERDAS é um erro, Por vezes é mesmo preciso mudar para se obterem ganhos e se avançar na direção certa. Senão, vejamos…

Neste momento, foram já publicados os calendários desportivos para 2016, mas não a totalidade da regulamentação que irá reger a atividade desportiva. Já abordei este tema este ano, mas sem nunca prever que neste momento, na entrada do novo ano, esta situação ainda se mantivesse inalterada. Em conversas mantidas no terreno com vários praticantes, é notória a desorientação, pois a escolha de viaturas e a apresentação de projetos a eventuais patrocinadores depende na íntegra dessas mesmas regras que tardam, e muito, em estar definidas. Nos ralis, os GT’s onde se enquadram? No TCR / CNV a definição é recente e ainda muito restrita, com ainda poucos a perceberem na íntegra qual o formato final das classes, corridas e campeonatos para o ano. Nada disto tem ainda resposta objetiva, e o ano já está a começar.

Na promoção, tudo na mesma, continuamos sem saber se existem cadernos de encargos a cumprir pelos candidatos a promotores, ou caso existam, a ser facultada a consulta e acesso aos mesmos, a atribuição continua a estar no “segredo dos deuses” quanto ao deve e haver de cada contrato, o que não deveria nunca acontecer em prol da necessária transparência que deveria sempre existir em qualquer ato ou contrato federativo. O mesmo se passa quanto a contratos de fornecimentos e parcerias, exemplo claro, os contratos dos fornecedores oficiais e exclusivos de pneus para campeonatos que deveria também ser públicos em todas as suas cláusulas.

As horas de TV que são divulgadas, carecem de uma análise qualitativa para além da quantitativa que é a única efetuada neste momento. A promoção do desporto faz-se não pela contratação de uma produtora para a edição e distribuição de conteúdos, mas também pelo acompanhamento da mesma na formatação do produto num formato mais agradável, mas para isso a Federação não pode apenas delegar numa entidade externa, escamoteando a sua responsabilidade de acompanhar e ajudar nessa mesma produção com pessoas com competências especializadas nessa área e que já existem à nossa volta, tornando a oferta audiovisual apetecível às massas e aos editores.

Sem promoção à altura, e sem controlo direto por parte da Federação, como se pode garantir a continuidade e sustentabilidade das diversas competições nacionais, e ajudar os praticantes e clubes a obterem os tão necessários patrocínios à sua atividade?

Este ano falou-se igualmente da atribuição de apoios fruto da ligação com o Instituto Português do Desporto e Juventude, parceria que pode trazer um folego importante para o desenvolvimento de novos valores, contudo, uma parte relevante ficou também por revelar – quais os critérios que presidem à escolha e atribuição dos praticantes que podem beneficiar deste apoio? Qual a idade, qual o palmarés, quais os valores disponíveis e atribuídos e em que moldes? É que apesar da enorme mais valia deste acordo, seria benéfico adicionar a tal transparência que, nunca me canso de apregoar como sendo a base do funcionamento de uma instituição de utilidade pública como o é a FPAK.

Ter mais, não é sinónimo de melhor, e falo obviamente da quantidade de provas organizadas sob a égide da FPAK. Em 2011, sob a batuta de Luíz Pinto de Freitas, tivemos cerca de 220 provas, e em 2015 o número é superior a 270… assim de repente, um acréscimo de 20% ao número de eventos, sem qualquer melhoria notória ou análise ao nº de inscritos ou à qualidade das provas em si. Esta é uma situação a rever pois em nada beneficia os praticantes, e muito menos os clubes e entidades associadas da FPAK, que, com mais trabalho e investimento, nem sempre colhem frutos e atingem objetivos. É preciso racionalizar, de forma concertada e coerente, com a participação de todos, Federação, Clubes, Associações e principalmente, trazer os praticantes também para esta discussão, de modo a criar sólidas bases de entendimento que visem definir objetivos comuns, e a partir daí estruturar calendários e criar ofertas apetecíveis a todos, bem como ao público aficionado.

Termino com um tradicional desejo, que 2016 seja um ano com mais mudanças, para melhor, formulando sinceros votos de sucesso à atual direção da Federação para que possa trilhar os caminhos certos para melhorar de forma efetiva o desporto automóvel nacional. As eleições são apenas em 2017, e cada ano que não se aproveita, é mais um ano em que se perdem praticantes, público, apoios e parcerias, e não podemos continuar nesse sentido. Por mim, estarei continuadamente no terreno, a acompanhar mais provas, e a falar com mais praticantes, organizadores e espectadores, recolhendo mais informação e escutando as vossas preocupações no sentido de adaptar cada vez mais o nosso futuro programa de ação às efetivas necessidades de cada um. Este é o meu objetivo, poder vir a representar a maioria em torno de objetivos comuns.

 

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