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Os Campeões falam dos projectos que lhes deram os títulos

Os Campeões falam dos projectos que lhes deram os títulos

Actualmente o Campeonato Nacional de Velocidade Turismos apresenta várias opções de participação, com diferentes níveis de custos e grande potencial competitivo.

Vamos apresentar duas opções diferentes, comparando as experiências dos três Campeões Nacionais de Velocidade, Francisco Mora, Tiago Ribeiro e Luís Soares Carneiro.

Francisco Mora optou por participar com um Seat Leon TCR, carro que lhe permitiu vencer à geral e à classe.

“Este ano optei pelo CNVT pois veio ao encontro daquilo que pretendíamos, que era sermos campeões. Apesar de ter adversários com qualidade o meu objectivo sempre foi claro desde o inicio, que era alcançar o título. Além disso olhei para o CNVT como uma possível ” rampa de lançamento ” para um campeonato internacional a curto prazo.”

Tiago Ribeiro e Luís Soares Carneiro optaram por correr juntos, dividindo os comandos de um VolksWagen Golf GTI, da categoria TCC, em que se sagraram campeões.

Tiago Ribeiro, começa por justificar a escolha “basicamente porque o CNV é a prova rainha do desporto automóvel de velocidade em Portugal e é sempre a primeira opção quando há recursos para isso. Como nos pareceu que o figurino de 2016 seria interessante e integrador de diferentes projectos, todos eles competitivos e ajustado a equipas com recursos diferentes, decidimos apostar. E em boa hora o fizemos.”

Luís Soares Carneiro começa por realçar a importância do CNVT no panorama nacional e realça ainda que “em muitos países europeus constitui a base de campeonatos de grande competição e relevância. A presença em Portugal de competições internacionais com carros desta categoria (TCR International Series e ETCC) é uma demonstração disso mesmo e devem constituir um exemplo e uma referência para nós, portugueses. Além disso, as experiências anteriores com GT’s e Protótipos eram demasiado caras para poderem ter uma estabilidade e uma continuidade que as tornasse duráveis no automobilismo de velocidade nacional.” Ora, com o CNVT há a expectativa que isso possa, finalmente, acontecer.

Para Francisco Mora os carros de acordo com o regulamento TCR são “um conceito muito bem pensado e quando experimentei pela primeira vez , achei um carro com uma performançe bastante aceitável e divertido de conduzir. Assim, penso que apostar nos TCR foi uma boa opção para nós. Um TCR é um carro divertido de guiar. Tem um binário bastante forte e debita cerca de 340 cv às rodas dianteiras duma forma bastante repentina. Isso é um dos pontos que exige mais cuidado na condução, pelo que depois de ultrapassada essa dificuldade é muito agradável de se conduzir. O trabalho do chassis e da suspensão também são pontos bastante favoráveis neste tipo de carro.”

Os TCC são carros com dois litros de cilindrada, oriundos de troféus de velocidade, desde que estejam de acordo com a respectiva ficha de homologação.

“Pareceu-nos que seria a categoria mais indicada para os recursos disponíveis. Começámos por pensar na categoria 1.6L pois existem carros bastantes competitivos no mercado a baixo preço. No entanto, no período de preparação da época, fomos informados de que a concorrência maior seria na categoria 2.0L e por isso fomos ao mercado procurar alternativas. Encontrámos uma que nos pareceu equilibrada, o VW Golf GTI Cup de um troféu muito competitivo que se realizava na Polónia. Dado ser um carro desde logo competitivo, com provas dadas em eventos de resistência, e muito próximo de um Grupo N (na realidade o espirito da categoria TCS) garantia-nos um óptimo controlo de custos. Na verdade, com pequenas alterações poderíamos ter participado exactamente nesta ultima categoria, mas dado que a concorrência existia só em TCC, decidimos participar nesta.” referiu-nos Tiago Ribeiro.

O Campeão Nacional de Velocidade na Categoria TCC, acrescenta ainda que “guiei já dezenas de carros de competição nestes quase 24 anos de corridas. O carro tem um desempenho algo similar, se bem que um pouco inferior, ao Seat Leon Supercopa MK2, que conduzi em condições muito especiais na Rampa da Penha em 2014. O VW Golf é mais pesado cerca de 160 Kg e com distribuição de peso bem menos eficiente que o do Leon. Para além disso é um pouco menos potente. Nas primeiras provas tivemos também grande dificuldade em acertar com o set-up correcto do eixo traseiro o que provocou uma série de dificuldades, principalmente nas primeiras voltas de corrida. Conseguimos encontrar a solução para o problema apenas na última corrida de Jerez de la Frontera. Na verdade o carro é ainda assim muito fácil de conduzir, excelente em travagem, equilibrado, faltando apenas melhorar alguns dos pontos anteriormente apontados.”

Luís Soares Carneiro realça que “Para quem não tem um grande orçamento, mas deseja participar em competições de velocidade que tenham importância nacional não pode haver outra escolha. Os custos, quer de aquisição de um carro quer de manutenção, são muito inferiores aos de um TCR. Em termos de experiência de condução “naturalmente depende do carro. No caso do Volkswagen Golf GTI é muito boa. Há muita potência, excelente capacidade de travagem e apesar de algum desequilíbrio de pesos entre a frente e a traseira, o que a torna algo nervosa até os pneus aquecerem, é um carro rápido e fácil de guiar.”

As diferenças de performance entre ambos os carros são evidentes, mas podem ser facilmente medidas pela diferença de orçamentos para se vencer o campeonato de cada categoria.

Francisco Mora realça que “uma época num TCR competitivo, no meu caso o Seat Leon TCR, ronda os 75.000 a 80.000 Euros. O valor do carro é semelhante. Depois há que acrescentar que por prova gastam-se travões, gasolina e a revisão total do carro, como motor, caixa e suspensões. São cerca de 5.000,00 Euros de revisões e peças gastas. Além disso há ainda os pneus. Cada pneu custa 350,00 Euros. Usam-se se 8 pneus novos (obrigatórios) mais um jogo e meio para  treinos privados e livres.”

Claro que estas contas estão feitas, não tendo acidentes fortes.

Competir nos TCC é entrar numa outra dimensão de custos, leia-se de custos baixos, pelo que se pode depreender pelas palavras de Luís Soares Carneiro:

“No nosso caso, quase nada: gasolina, óleo e pneus, além da compra do carro, claro. Depois foi uma porta amolgada por um toque de outro concorrente, o spoiler dianteiro que partiu, porque não gosta de passear pela gravilha e mais nada. Os pneus que é obrigatório comprar em cada prova são um dos maiores custos, assim como as inscrições.”

Tiago Ribeiro reforça esta mesma ideia:

“Os custos por prova incidem especialmente no valor das inscrições e pneus. Todos os restantes custos são bastante baixos. Temos naturalmente o custo relativo ao apoio da equipa, mas este varia muito. Outra variável difícil de controlar são os toques e consequentes reparações, que podem fazer inflacionar bastante qualquer orçamento. Diria que, pelo estudo que fizemos na fase de preparação da época, esta será uma das formas menos dispendiosas de se competir em Portugal num carro verdadeiramente competitivo.”

 

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