Sexta-feira , Julho 20 2018
ÚLTIMAS
Home / TODO-O-TERRENO / PELA ESTRADA FORA ATÉ FRONTEIRA COM OS BOMBEIROS DE OUREM
PELA ESTRADA FORA ATÉ FRONTEIRA COM OS BOMBEIROS DE OUREM

PELA ESTRADA FORA ATÉ FRONTEIRA COM OS BOMBEIROS DE OUREM

Fomos encontrar o Comandante Guilherme Isidro num quartel improvisado em Fronteira. Rodeado de árvores, de terra, e de pessoas. Que cenário conhecerá melhor? Não tínhamos previsto escrever isto. Mas não serão as melhores histórias aquelas que se encontram quando menos as procuramos? Atrás de um mar de gente e de uma sopa da pedra servida pela corporação, contou-nos como este ano trouxe 700 pessoas a Fronteira e, ainda, como esse recorde os ajuda (aos poucos) a sarar as feridas. Porque este ano os fogos arderam ainda mais, doeram ainda mais. E que para o ano esperam vir com ainda mais gente, “se Deus quiser”.

Costuma dizer-se que: “Onde se junta um português, juntam-se logo dois ou três.” E quando a causa é nobre, movemos montanhas, que é como quem diz fazemos quilómetros e quilómetros. Que o digam os Bombeiros Voluntários de Ourém que vieram por estradas e estradinhas até à Vila de Fronteira para participar pela 9ª vez nas 24 Horas TT.

Na primeira pessoa, o comandante explica: “Isto começou com a organização de um grupo de pessoas ligadas aos Bombeiros que vinham assistir à prova e que tiveram a iniciativa de vir organizados de Ourém até aqui, em passeio, e ao mesmo tempo tirar alguns dividendos para nos ajudar”. E o “passa-a-palavra” fez o resto? “Sim, foi crescendo ao longo dos anos de forma a que hoje, batemos todos os recordes: conseguimos juntar aqui cerca de 700 pessoas!”, acrescenta com um misto de orgulho e satisfação no olhar que não nos surpreende.

“Quanto tempo demora na organização?” Questionamos, impressionados, mas com a sensação de que para estes homens isto é “canja”. “Não é fácil organizar isto tudo. Com os anos há coisas que já fazemos da mesma forma, mas, uma vez que vimos de Ourém a Fronteira sempre fora de estrada, é sempre algo planeado com tempo para garantir que conseguimos cá chegar sem problemas. São sempre dois ou três meses de preparação para que tudo corra bem”. E corre, ao pé do comandante o que não falta é gente satisfeita. À beira do porco no espeto, da jeropiga e da fogueira, contam-se histórias, trauteiam-se as músicas da rádio e reencontram-se os amigos. Os participantes pagam 35€ o que inclui uma lembrança, pequeno almoço, Porto de honra, duas sopas da pedra, duas sandes e duas bebidas.

“E a festa, dura a noite toda?”, queremos saber. “Por norma, a festa começa a acalmar por volta das 5h da manhã, até porque começa a ser hora de organizar o regresso.”

Não queremos ir ao encontro do assunto, mas é incontornável. Num ano tão difícil para os bombeiros, é também uma forma de criar memórias boas do ano? “Este foi um ano mesmo muito complicado, muito difícil mesmo. E isto serve um bocadinho de escape e também de ajuda. Aqui acabamos por descontrair um pouco e tentar angariar fundos para substituir algum material que nos é necessário no dia-a-dia. Foi um ano difícil de superar e aqui acabamos também por recuperar um pouco. Nós também somos pessoas, e estar aqui faz-nos bem.”

Com os fundos angariados nos anos anteriores, os bombeiros conseguiram comprar 120 cacifos individuais, 120 casacos de abafo e um jipe de comando, para além de muitos outros materiais. “E estes objetivos também fazem com que nos motivemos. Neste momento, o que precisamos mais é de substituir dois veículos, algo que esperamos que se concretize brevemente.”

Há quem traga o sofá da sala para se sentir como se tivesse em casa. Há quem venha com os amigos e aguente a noite toda para ver os carros passar. E há quem faça isso tudo, mas também apoie uma causa.

 

Scroll To Top