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Project One. A venda que 3 milhões não chegaram para comprar

Project One. A venda que 3 milhões não chegaram para comprar

 

Seleção prévia de candidatos; seis de meses de processo, entre reuniões secretas onde nem um telemóvel podia entrar; histórico de fidelidade à marca e garantia de longevidade. Para comprar o mais exclusivo Mercedes-Benz de Sempre, o Project One, é preciso mais do que ser milionário e estar disponível para pagar três milhões de euros. Eis o processo de seleção superado pelo apaixonado português que trouxe para o nosso país o único exemplar disponível deste novo hiperdesportivo. O concessionário Sociedade Comercial C. Santos foi o responsável pelo negócio.

 

Em março de 2017, um empresário português chegava a uma quinta privada nos arredores de Genebra, para uma reunião promovida pela Mercedes-AMG. À entrada, tinham avisado, teria que deixar o relógio e o telemóvel. O encontro, rodeado de secretismo, serviria para partilhar os primeiros pormenores sobre o novo hiperdesportivo da marca de Estugarda, o Project One. Um modelo muito exclusivo, com tecnologia do monolugar que tem dominado o Mundial de Fórmula 1. Não podia haver o mínimo risco de espionagem industrial.

 

Acompanhado de um vendedor do concessionário que mediava o processo de venda, Rui Sampaio, da Sociedade Comercial C. Santos, o industrial português não teve qualquer problema com a discrição. Aliás, cultiva-a ainda hoje e preserva ele próprio o anonimato. À discrição juntou uma paixão que, sublinhe-se, foi igualmente condição para o negócio, porque no processo de candidatura a Mercedes-Benz valorizou o histórico de relação com marca, mas também a sua coleção de automóveis! A garantia de longevidade do negócio também foi crucial, porque em assuntos de tamanha exclusividade, as revendas posteriores não são propriamente bem-vindas. Negócio garantido, o Project One vai mesmo rodar em asfalto nacional lá para 2019.

 

A paixão. Ou como tudo começou

 

O que é que faz alguém comprar um automóvel de 3 milhões de euros, esperar pelo menos um ano para o poder guiar e ter que se submeter a um rigoroso processo de seleção para o adquirir? “Paixão”. E como o apaixonado faz questão de preservar o anonimato, conheçamos o sentimento pela perspetiva do vendedor que o testemunhou

 

Rui Sampaio, com experiência profissional de vendas de 15 anos, no concessionário que mais Mercedes-Benz vende em Portugal, estava longe de imaginar que um dia iria vender um automóvel tão especial! A par do empresário de sucesso que se tornou o único proprietário de um Project One “português”, o comercial da Sociedade Comercial C. Santos foi o único português que viveu de perto e, por dentro, as emoções da compra (ou venda) do hiperdesportivo da Mercedes.

 

“A estrela é o carro. O felizardo é o cliente. O facto de ter sido a Sociedade Comercial C. Santos, o único concessionário nacional a vender um hipercarro deste calibre, é motivo de orgulho e claro que fica na história da empresa. Mas isso não aconteceu por acaso. Foi a nossa ligação e os laços especiais que criamos com os clientes, que vão muito mais além do que uma simples venda ou de um trabalho de uma assistência técnica especializada e que passam por integrá-los nos eventos e ações que organizamos ao longo do ano, que acaba por fazer a diferença em alturas-chave como esta da aquisição do Project One. Foi a relação de proximidade que criamos com este cliente, que permitiu, indiretamente, que ele conseguisse adquirir algo que suplanta o seu poder económico”, deslinda Rui Sampaio.

 

Interessado, inicialmente, apenas num dos supercarros da Mercedes-AMG, o cliente português que acabaria por “ganhar o concurso” do Project One nacional não podia imaginar, ao início, quão complexo era o acesso ao hipercarro que a Mercedes queria lançar para comemorar os 50 anos da AMG. Entre a intenção de compra e a fase em que se tornou o único selecionado português para adquirir o veículo que já era de coleção, antes mesmo de nascer, viveu-se um jogo de paciência que durou cerca de seis meses.

 

O cliente. Ou como importa ser especial.

 

À prévia pré-seleção de candidatos ao lugar de titular do fantástico automóvel, feita pela Mercedes-Benz Portugal, juntaram-se a lista de requisitos da própria Mercedes-AMG “casa-mãe”, que definiu que Portugal teria “apenas” direito a um Project One. Se para ter qualquer Mercedes-AMG basta abrir os cordões à bolsa, para aceder a este autêntico “avião sobre rodas” é necessário ter um perfil, também ele, muito especial, capaz de obedecer a critérios de seleção extremamente rigorosos.

 

A Mercedes-AMG só entrega um automóvel deste calibre a alguém cuja compra não seja motivada pelo potencial de valorização a curto prazo do Project One, mas sim a quem já tenha uma relação sólida com a marca e disponha de um património automóvel dignificante. Para além disso, o potencial de aquisição de futuras viaturas Mercedes-AMG e a longevidade do próprio cliente foram também alvo de apurada análise e fatores seletivos na decisão final de venda.

 

Só em agosto do ano passado, o cliente português teve a certeza que seria o único proprietário do Project One em território nacional, cinco meses depois de ter sido convidado pela AMG Portugal (ainda com o estatuto de pré-selecionado) para uma cerimónia secreta numa propriedade privada em Genebra (Suíça), onde, teve a companhia do vendedor da Sociedade Comercial C. Santos, mas onde só pode entrar sem telefone e relógio, por questões de privacidade e por forma a evitar o potencial perigo de espionagem industrial para a marca.

 

Foi nessa cerimónia, carregada de glamour, que os potenciais clientes (de diversas nacionalidades) ficaram a conhecer, pela primeira vez, a maior parte dos pormenores técnicos do então ainda protótipo, bem como as suas formas finais (mas ainda não o cockpit, que estava ainda em conceção pelos engenheiros da Mercedes-AMG) e quanto teriam, afinal, que desembolsar para o adquirir, caso fossem mesmo selecionados.

 

O “contrato”. Ou como a caneta falhou.

 

Com o processo de seleção concluído, o cliente recebeu finalmente a notícia por que tanto esperava, assinando um compromisso de compra e venda do automóvel (que não ainda o contrato final de aquisição), onde transacionava o sinal de garantia. Um momento solene, mas ainda assim transformado em mais uma “estória”, como conta Rui Sampaio.

 

“A venda de um automóvel destes acaba por tornar-se muito especial, por tudo o que envolve. Nesse sentido, desde logo, colecionei todos os pequenos adereços que, mais tarde, me fizessem relembrar esta venda, como as pulseiras de acesso exclusivo aos eventos onde o cliente do Projeto One marcou presença. Fiz também questão que o cliente assinasse o documento com o compromisso de compra e venda, com uma caneta pessoal de luxo, de tinta permanente. Só que, como parece ser hábito sempre acontecer nas alturas mais preciosas, a dita caneta falhou, e o cliente, praticamente sem se aperceber, acabou por assinar a aquisição de uma viatura de 3 milhões de euros com uma vulgar caneta de improviso, com publicidade nas costas, que, naturalmente, passou, ainda assim, a fazer parte do espólio de recordações que compõe o histórico negócio!”

 

Os 3 Milhões. Ou um mundo de regalias

 

O passo seguinte foi dado no último mês setembro, no Salão Internacional de Frankfurt, onde o Project One foi, oficialmente, apresentado, cerimónia para a qual todos os clientes que adquiriram uma unidade do mais rápido Mercedes de sempre foram naturalmente convidados.

 

Antes disso, no entanto, e como forma de aumentar a envolvência pessoal de cada novo proprietário neste projeto tão singular, todos tomaram parte numa outra cerimónia, já fora do Salão e que contou com a presença das mais altas patentes da Mercedes-AMG, cujo objetivo principal era a satisfação de todas as curiosidades inerentes ao projeto e ao veículo (naturalmente e ainda e sempre sob a promessa de inteiro secretismo), bem como ficarem a saber que, durante todo o processo de fabrico do seu automóvel, teriam acesso, através de um acesso digital exclusivo, a informações privilegiadas sobre o decurso da produção e desenvolvimento da unidade específica numerada que tinham adquirido.

 

Tratou-se, pois, de uma integração ainda mais emocional à “família” superexclusiva do Project One, onde cada proprietário é tratado de forma muito especial, como prova a oferta de uma icónica e exclusiva peça de cristal numerada, cuja forma esconde o desenho do Project One ou de uma caixa, com “espuma”, onde foi pedido para que cada proprietário decalcasse a sua mão, num gesto cuja finalidade é para já desconhecida, mas que, por certo, a Mercedes-AMG saberá transformar em algo mágico, com o mesmo tipo de magia que promete também ornamentar as viagens já oferecidas aos clientes do Project One, algumas das quais do outro lado do Atlântico, para alguns eventos de charme, que a marca prefere, para já, não divulgar.

 

Ser cliente da Mercedes-AMG é especial, mas sê-lo do Project One eleva verdadeiramente o nível de tratamento exclusivo com que se é brindado, mesmo se a Mercedes-AMG não revelou ainda todos os pormenores aos proprietários sobre este automóvel, que já conquistou um lugar entre os mais desejados de sempre, ou mesmo se, por exemplo, os clientes terão pouco mais opções de personalização dos respetivos automóveis do que a escolha da cor (e mesmo assim, dentro de um leque reduzido de opções). Certo, certo é que cada um deles, terá que se deslocar à fábrica para moldar a sua bacquet (banco do condutor), tal como acontece num monolugar de Fórmula 1.

 

E essa será, afinal, apenas mais uma gota de água no oceano de emoções que o mais caro e especial Mercedes-AMG de toda a história tem para oferecer aos seus felizes proprietários e, em particular, ao único português que dele poderá usufruir em pleno, depois de pagar 3 milhões de euros. Como curiosidade, refira-se que o processo de faturação tem apenas a intervenção da Mercedes-AMG e, todo ele, é também muito rigoroso (de forma a que fique salvaguardada qualquer potencial tipo de tentativa de fuga ao fisco), fazendo, de resto, jus a todo o resto do processo que, como se percebeu, está longe de seguir os trâmites normais de uma usual venda automóvel.

 

Só podia ser assim, num automóvel de exceção, que terá todos os exemplares numerados, mas com placas identificativas iguais, com a inscrição de “1/275”, na forma que a Mercedes-AMG encontrou para manter a igualdade entre todos os clientes que adquiriram este automóvel de sonho e evitar especulações de preços, um dia mais tarde, quando o Project One poder ser vendido.

 

Não é por acaso que este “Project” se chama “One” e absorve contornos tão excêntricos como exclusivos, da mesma maneira que não é por acaso só uma unidade chegará a Portugal, via Sociedade Comercial C. Santos, afinal uma peça decisiva no complexo xadrez de aquisição de um automóvel já elevado à categoria de mito. Resta agora esperar por 2019 ou 2020, altura em que a Mercedes-AMG entregará o único Project One “português”, no local escolhido pelo seu proprietário,

 

A máquina. Ou a excelência de um automóvel!

 

O hiperdesportivo da Mercedes revelado ao mundo, o ano passado, no Frankfurt Internacional Motor Show, tem tudo para encantar! Foi anunciado como um dos automóveis tecnologicamente mais avançados do planeta, vai ter uma produção numerada e exclusiva de apenas 275 unidades e oferecerá performances de colar, literalmente, condutor e passageiro ao banco ou não tivesse mais de 1000 cv de potência, atingisse mais de 350 km/h de velocidade máxima e acelerasse dos 0-200 km/h em apenas seis segundos!

 

À parte dos números, este verdadeiro “Fórmula 1 de estrada”, que o atual campeão do Mundo de Fórmula 1, Lewis Hamilton, está a ajudar a desenvolver, é dotado da mais moderna e eficiente tecnologia híbrida, que, associada ao design purista e funcional da musculada carroçaria e ao interior vanguardista que em tudo se assemelha ao cockpit de um Fórmula 1, o torna num automóvel único e inteiramente merecedor de tanta exclusividade.

 

É fácil perceber que o hipercarro da Mercedes-AMG é, por isso, um automóvel de sonho e não está ao alcance de qualquer um. Mas o dinheiro foi apenas um dos fatores a ter em conta…

 

Sobre a Sociedade Comercial C. Santos

Fundada em 1946 e sediada na Maia (Porto), a Sociedade Comercial C. Santos integra mais de 300 colaboradores. Uma história ímpar no sector automóvel e que já mereceu distinções como “Melhor Concessionário VLP Mercedes-Benz de Portugal” e Prémio Exame para “Melhor Empresa do Sector de Comércio de Veículos Automóveis”.

 

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