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UMA PRIMEIRA ETAPA COM PESADAS CONSEQUÊNCIAS

UMA PRIMEIRA ETAPA COM PESADAS CONSEQUÊNCIAS

Depois de um excelente arranque, e quando parecia que iria ser um sério candidato à vitória final – vencendo 3 das 6 Especiais de sexta-feira –, o Citroën Total Abu Dhabi WRT viria a pagar um preço demasiado elevado pelos três furos que vitimaram os seus pilotos.  A equipa viu arruinada a esperança de uma presença no pódio, logo no primeiro dia de competição completo, cabendo aos pilotos o papel ingrato de limpar os troços durante o restante fim de semana.

 

 

O RALI EM RESUMO

Depois de muito anos a sobreviver às Especiais do Campeonato do Mundo de Ralis, os engenheiros do Citroën Total Abu Dhabi WRT estão habituados às características particulares de cada prova. Nesse sentido, rapidamente identificaram as particularidades da Etapa de sexta-feira – famosa pela tendência em fazer estragos constantes – acreditando que seriam os troços decisivos do fim de semana. E estavam certos!

Embora os três Citroën C3 WRC tenham chegado em segurança ao final da Etapa, ao contrário de muitos dos seus adversários, o fim de semana da equipa ficou imediata e irreversivelmente comprometido por três custosos furos.

 

 

Tudo tinha começado muito bem, com um Kris Meeke cheio de confiança a alcançar, na primeira Especial a sério do Rally de Portugal, a 3ª posição, a apenas 2,2 segundos do mais rápido. O britânico viria mesmo a ascender ao 1º lugar na Especial seguinte, antes de voltar a perder essa posição por breves momentos. Meeke recuperou o lugar da frente aquando do arranque para as passagens da seção da tarde de sexta-feira, ao vencer outra Especial (ES5). Parecia que o piloto da Irlanda do Norte estava prestes a ser visto como um sério candidato à vitória final.

Craig Breen, por sua vez, estava determinado a não ficar de fora da festa, vencendo, também ele, uma Especial (ES6), a mesma em que Kris Meeke sofreu o primeiro furo. Este azar teria passado quase despercebido não fosse o facto de Meeke ter sofrido outro furo na Especial seguinte, a mesma em que Craig, então no 3º lugar da geral, a apenas 4,4 segundos da liderança, viu também um dos seus pneus perder, subitamente, pressão, depois de embater numa das muitas pedras deixadas soltas pela passagem dos carros.

Meeke foi forçado a terminar a longa secção de estrada e a cumprir as duas Super Especiais do fim da tarde, no Porto, com apenas três pneus. Já Breen teve de parar para mudar o pneu furado a meio da Especial. Os dois pilotos acabaram, assim, por perder muito tempo que lhes era precioso, terminando na 7ª e 8ª posição, respetivamente.

Entretanto, Mads Ostberg protagonizava uma estreia promissora em terra ao volante do C3 WRC, terminando a Etapa de sexta-feira na 6ª posição. Porém, confrontados com a árdua tarefa de serem os primeiros a sair para a estrada nos dois dias seguintes – e, por conseguinte, varrerem a terra solta e a areia da estrada – Ostberg e Breen foram incapazes de terminar em lugares mais elevados do que o 6º e o 7º lugar da geral, respetivamente. Já Meeke foi, infelizmente, vítima de uma violenta saída de estrada na Etapa de sábado, que o colocou definitivamente fora de prova.

 

PERGUNTAS A PIERRE BUDAR, DIRETOR DO CITROËN RACING TEAM

Que análise faz deste difícil fim-de-semana?

“Os três furos de sexta-feira acabaram com o nosso rali. As regras referem que os lugares ocupados nas classificações ao final do primeiro dia sejam invertidos para a definição da ordem de partida do dia seguinte (sábado), acontecendo o mesmo para domingo. Graças a isso, acabámos por ser os primeiros a sair para a estrada em dois dias e, portanto, andámos a varrer o piso de toda a areia e terra solta para o resto dos concorrentes. Devido à falta de aderência, subir na classificação era uma missão impossível, pelo que optámos por trabalhar no ‘set-up’ dos C3 WRC neste tipo de piso de baixa aderência, preparando-nos para os ralis futuros. Antes dos seus dois furos, o Kris esteve duas vezes no comando e venceu duas Especiais, enquanto o Craig, que também venceu uma Especial, estava em 3º quando teve um furo. Enquanto estivemos a lutar em condições iguais com os nossos rivais fomos sempre competitivos, além de contarmos com uma excelente fiabilidade.”


 

O que pensa do desempenho dos seus pilotos?

“Obviamente, foi uma pena o Kris ter cometido aquele erro, mas, acima de tudo, estou feliz por ele e o Paul terem saído daquele acidente praticamente ilesos. Isto mostrou o excelente trabalho que os nossos engenheiros fazem na melhoria constante da segurança dos carros. Uma vez mais, o Kris andou muito depressa. Acima de tudo, sentiu-se confiante ao volante do seu C3 WRC e isso é um factor importante para o resto da temporada. Quanto ao Mads, no início teve dificuldades em encontrar a afinação certa, mas depois foi recuperando progressivamente o seu ritmo e acabou por se sentir à vontade para andar mais depressa. Ele aproveitou este seu primeiro rali em terra com o C3 WRC para perceber melhor o carro, de modo a poder estar em forma logo no arranque do Rali da Sardenha. Por fim, o Craig, que parecia estar bastante hesitante no início, também acabou por encontrar o seu andamento, o que significa que já esqueceu o seu azar na Argentina. Depois, fez o que tinha a fazer, ou seja, lidar com o facto de ser o primeiro a sair para a estrada.”

Qual é o estado de espírito da equipa?

“Embora estejamos a atravessar um período em que não estamos a obter os resultados que esperávamos e que merecemos, a equipa mantém-se unida e muito empenhada, principalmente porque todos sabemos que somos rápidos. Agora, estamos todos empenhados na preparação para a próxima prova do campeonato, na Sardenha, sabendo que, mais uma vez, teremos uma nova oportunidade para vencer.”

 

 

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