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6.º Portugal de Lés-a-Lés foi sucesso absoluto de Montalegre a Lagoa

6.º Portugal de Lés-a-Lés foi sucesso absoluto de Montalegre a Lagoa

O mapa do sucesso em todo-o-terreno

 
Por serras e vales, planícies sem fim, atravessando rios e as mais recônditas povoações do verdadeiro País profundo, o 6.º Portugal de Lés-a-Lés reforçou o epíteto da grande aventura nacional em fora-de-estrada. Atravessar o mapa nacional, do extremo norte, bem junto à fronteira com Espanha, até às praias algarvias, foi desafio cumprido com enorme prazer, muita diversão e camaradagem ao longo de mais de 1000 quilómetros, entre Montalegre e Lagoa. Pelo meio, Covilhã e Borba, tendo esta cidade do distrito de Évora servido de ponto de partida para a derradeira etapa, com 360 km alternando entre os mais rápidos estradões e as zonas mais técnicas, do rendilhado criado pela albufeira do Alqueva aos sinuosos estradões da serra de Silves, já na ponta final do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal.

Num dia abençoado por São Pedro (mais um!) com sol e temperaturas amenas, a facilitar imenso a vida aos participantes e permitir desfrutar das magníficas paisagens, tempo para conhecer bem de perto a realidade agrícola lusitana, atravessando áreas enormes de cultura intensiva e super intensiva, com milhares de hectares de olival e amendoal, mas também de diversas árvores de fruto, vinha ou cereais. Zona do País onde a condução em fora de estrada é, por norma, mais descontraída e divertida, mas onde as pequenas ‘cinquentinhas’ sofreram com as longas retas feitas de ‘gás a fundo’. O Casimiro, o Cardoso, o Né, o Patrício, o Nuno, o Neves e o Pereira, rapaziada da Charneca da Caparica com uma média de idades bem para lá dos 50 anos, deixaram em casa as motos grandes e voltaram a viver as aventuras de juventude, divertindo-se a valer com as Macal Trail II, Famel Zundapp, Sachs Cross, Suzuki TS ou a AJP Galp. Boa disposição alimentada por algumas picardias que foi nota dominante ao longo de três dias bem aproveitados para conduzir «máquinas recuperadas e mantidas por cada um dos condutores, e cujas reparações, mesmo na estrada, são feitas com materiais e ferramentas que cada um transporta». E assim, a cada passo, lá iam parando os ‘Comdores’ (sim, é assim mesmo, com M, que o grupo se intitula, apesar de ter como símbolo um abutre com feridas e de muletas…) sem que se conseguisse perceber se era realmente uma pequena avaria ou uma desculpa para mais ‘duas de conversa’.

Este é, afinal o espírito do Lés-a-Lés, seja na versão estradista ou na mais aventureira Off-Road, filosofia que cativou os muitos estrangeiros entre os mais de 400 participantes. Oriundos da Bélgica, Irlanda, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália ou do Brasil. Neste caso com a particularidade de conduzir uma belíssima Yamaha XT 500 de 1977 (mas com depósito pintado em preto vermelho e alumínio da versão de 1981!) de matrícula francesa e, para aumentar a improbabilidade, vivendo na cidade de Salamanca. Bruno Pavão, assim se chama este motociclista nascido em Porto Alegre, soube do Lés-a-Lés através de uma revista espanhola e, como nenhum amigo o acompanhou, veio sozinho desde casa, a rolar por estradas nacionais. Foi a estreia absoluta no todo-o-terreno e já garantiu o regresso em 2022, «com um amigo italiano que também tem uma XT 500 que ficou encantado com a ideia».

No final, em Lagoa, os sorrisos do brasileiro eram acompanhados pela boa disposição generalizada de quem acabava de cumprir três dias de aventura, de descoberta e de diversão. De Terras do Barroso à serra algarvia, da Estrela às planícies alentejanas, das escarpas sobre o rio Corgo ao espelho de água do Alqueva, dos pinhais de Oleiros às praias de Lagoa. Porque desta diversidade se faz Portugal e nesta descoberta assenta o sucesso do Lés-a-Lés.

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