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CITROËN C3 WRC EM FORÇA NA CÓRSEGA

CITROËN C3 WRC EM FORÇA NA CÓRSEGA

Pela primeira vez nesta época, o Citroën Total Abu Dhabi WRT alinha com três Citroën C3 WRC à partida de um rali. No seguimento da sua vitória no México, Kris Meeke/Paul Nagle serão os chefes de fila de uma formação que conta, igualmente, com Craig Breen/Scott Martin e Stéphane Lefebvre/Gabin Moreau.

 

VOLTA À CORSÉGA: UM MONUMENTO DO MUNDIAL DE RALIS

A Volta a Córsega tem um estatuto muito especial no panoramada dos ralis. Já na década de 50, bem antes da criação do Campeonto do Mundo Ralis, as estradas insulares constituíam um verdadeiro banco de ensaios para o comportamento dos carros e o talento dos pilotos. Ainda hoje, o também conhecido por “rali das 10.000 curvas” distingue-se pelos seus troços sinuosos, irregulares e abrasivos. Exigente para os travões, o relevo montanhoso tem também o seu papel nas constantes alterações meteorológicas, pois independentemente da prova ter lugar no outono ou na primavera, a chuva raramente está ausente, podendo cair a qualquer momento.

No ano passado, a prova francesa do Mundial de Ralis disputou-se em outubro, pelo que esta mudança de datas veio determinar o seu posicionamento entre o México e a Argentina, num reequilíbrio bem-vindo, pois permite quebrar uma longa série de seis ralis disputados em pisos de terra. Consequentemente, a organização não alterou significativamente o percurso, que se mantém praticamente o mesmo de há um ano.

Assim, após uma 1ª Etapa disputada em redor de Ajaccio, os concorrentes ficarão na região de Bastia no sábado antes de arrancar para perto Porto-Vecchio para os troços do último dia. São apenas 10 as classificativas cronometradas desta que será a 60º edição da prova.

OS DESAFIOS: LUTAR PELA VITÓRIA NO ASFALTO

Tendo em conta que o Rali de Monte Carlo não é considerado um rali 100% em alcatrão, a Volta à Córsega constitui, portanto, a primeira prova em que os World Rally Car 2017 se irão defrontar neste tipo de piso. Os observadores mais atentos – com os engenheiros das equipas na primeira linha – estão, assim, impacientes por comparar as performances dos carros, de forma a continuar a definir a hierarquia. Com três construtores diferentes a vencer os três primeiros ralis do presente ano, o desafio está totalmente em aberto.

 

Como é óbvio, o Citroën Total Abu Dhabi WRT não enjeita a obenção de uma segunda vitória consecutiva, pelo que para otimizar as suas oportunidades, a equipa inscreve, pela primeira vez, três C3 WRC. Kris Meeke, Craig Breen e Stéphane Lefebvre estão encarregues de marcar pontos no Campeonato do Mundo de Construtores, sabendo de antemão que apenas os dois melhores poderão, efetivamente, recolher pontos.

 

Os três pliotos têm, obviamente, objetivos diferentes. Fortemente moralizado com a sua vitória no México, Meeke procura confirmar o potencial demonstrado na edição de 2016. Afastado da luta pela vitória devido a um furo, o britânico tinha rubricado excelentes tempos que o colocaram entre os principais candidatos ao pódio. Já Breen, o 5º classificado na prova de outubro último, poderá também apoiar-se na sua experiência para tentar chegar mais alto. Com apenas uma prova disputada ao volante de um WRC, Lefebvre defronta-se com uma situação bem diferente, pelo que antes de tentar aproximar-se dos pilotos mais rápidos, o jovem francês deverá aperfeiçoar os seus conhecimentos e acumlar experiência.

 

A VOLTA À CÓRSEGA 2017 EM NÚMEROS

  • 10 Especiais, totalizando 316,80 km cronometrados
  • 53,78 km na ligação Antissanti-Piggio di Nazza, a especial mais longa do rali (ES 9)
  • 93,13 % das especias são idênticas às da edição de 2016
  • 600 km de testes em quatro dias para Kris Meeke, Craig Breen e Stépahne Lefebvre
  • 8 vitórias da Citroën na Volta à Córsega: Renée Trautman (1961 e 1963), Philippe Bugalski (1999), Jesús Puras (2001) e Sébastien Loeb (2005 a 2008)

 


 

FLASHBACK: A VOLTA À CÓRSEGA 1999

Duas semanas após a estrondosa vitória na Catalunha, eles mereciam-no. Aos comandos de um Citroën Xsara Kit-Car, o malogrado Philippe Bugalsky e Jean-Paul Giaroni – hoje coordenador de reconhecimentos e meteorologia da Citroën Racing – impuseram-se aos World Rally Cars. A Citroën rubricou mesmo uma dupla vitória na “Ilha da Beleza”, graças a Jesus Puras e Marc Martí. Para trás, ficaram Sainz, McRae, Auriol, Mäkinen, Burns, etc. Estas duas vitórias revestiram-se de importância capital, levando a Marca a decidir-se pelo desenvolvimento do projeto Xsara WRC.

O QUE ELES DISSERAM…

YVES MATTON, DIRETOR DA CITROËN RACING: “Para um construtor francês, a Volta à Córsega representa, necessariamente, um acontecimento à parte. Para tentar juntar uma nona vitória da Citroën ao palmarés da prova, inscrevemos três C3 WRC pela primeira vez esta temporada. Isto vai trazer-nos alguma tranquilidade na gestão da prova e os nossos jovens pilotos poderão contar com mais alguma liberdade para estabelecer a sua estratégia. Depoois de terem participado na edição de há um ano,o Kris e o Craig poderão recorrer à sua experiência, pois o percurso é praticamente o mesmo. O Kris já demonstrou o seu potencial neste terreno e penso que irá estar em condições de lutar pelos lugares da frente. Quanto ao Stéphane, não será de estranhar que esteja um pouco retraído, pois não esteve presente na edição passada, mas está extremamente motivado para aquela que é a sua prova nacional!”

 

LAURENT FREGOSI, DIRETOR TÉCNICO: “Entre os diversos ensinamentos que recolhemos em Monte Carlo, ficou bem definida a necessidade de trabalharmos nas suspensões. Portanto, durante os quatro dias de testes na Córsega, na semana passada, a nossa prioridade recaiu sobre esse ponto, sem negligenciarmos outros campos fundamentais, como as cartografias do diferencial e as combinações de pneus. No final dos testes, ao compararmos as afinações iniciais com as definidas ao longo da semana, os pilotos destacaram os progressos alcançados. Agora, falta confirmar isto tudo em competição real.

 

KRIS MEEKE: “Vencemos no México, mas a Volta à Córsega representa um desafio totalmente diferente. Para mim, este rali é o máximo desafio em alcatrão. Gostei bastante do percurso do ano passado e bati-me pela vitória sem cometer quaisquer erros. Não posso dizr que encaro a prova com certezas absolutas, mas estou muito satisfeito com o trabalho feito nos testes. Temos um bom carro, com um comportamento linear, pelo que em prova veremos se nos aproximámos de todo o nosso potencial. Estou ansioso pela hora da partida e conto que haja luta cerrada pelos lugares da frente.

Nº de participações na prova: 4; Melhor resultado: 4º lugar (2015)

 

CRAIG BREEN: “Fiquei surpreendido ao constatar que sou o piloto mais experiente neste rali! É verdade que gosto e conheço bem a Volta à Córsega. Encontro mesmo algumas semelhanças com a Irlanda, como a meteorologia imprevisível, o piso irregular e frequentemente em mau estado. No ano passado tive muito boas sensações naquele que foi o meu primeiro rali em asfalto ao volante de um WRC. Este ano, espero poder cumprir as especiais com uma boa dose de confiança.  Aliás, ‘ confiança’ é a palavra-chave destes carros! Se eu estiver à altura, o resultado deverá ser bom.”

Nº de participações na prova: 5; Melhor resultado: 4º lugar (2013/ERC)

 

STÉPHANE LEFEBVRE: “À semelhança de Monte Caro ou da Finlândia, a Volta à Córsega faz parte das provas incontronáveis do WRC. Não tenho muito boas recordações da minha participação em 2015, pois foi um inferno com toda aquela chuva! Portanto, considero-me um ‘rookie’ e sei que o meu défice de experiência será difícil de anular. Mas darei 100% de mim próprio para tentar obter o melhor resultado. Os testes permitiram-me ajustar o meu nível de condução. O C3 WRC conduz-se quase como um carro de pista.

Nº de participações na prova:2

Melhor resultado: – 11º (2015)

 

 

QUESTÃO TOTAL: QUAIS AS CONDICIONANTES DO RALI DAS 10.000 CURVAS?

Devido ao seu traçado sinuoso, a Volta à Córsega obriga a constantes travagens e passagens de caixa. Um pouco como nos circuitos citadinos do Mónaco ou de Singapura! No interior da caixa de velocidades, o lubrificante é sujeito a enormes esforços, sendo que cada passagem de caixa gera um aquecimento localizado ao nível dos dentes dos carretos, com a agravante das constantes curvas forçarem o fluido a circular de um extremo ao outro do cárter. A longo prazo, estas movimentações podem provocar um efeito espumoso. Ora, é absolutamente fundamental evitar a emulsão do lubrificante, pois o ar não tem propriedades lubrificantes. Para evitar este fenómeno, os engenheiros da Toal adicionam doses exatas de aditivos específicos.

 

 

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