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Entrevista a Gene Haas (patrão da equipa Haas F1 Team)

Entrevista a Gene Haas (patrão da equipa Haas F1 Team)

A escalada das máquinas Haas

Gene Haas olha para o ano de estreia da Haas F1 Team e para a ligação entre as corridas e a indústria das máquinas CNC, quando está perto de começar a segunda temporada de Fórmula 1.

 

KANNAPOLIS, Carolina do Norte (13 de Fevereiro de 2017) – Há trinta e quatro anos, Gene Haas fundou a Haas Automation. Hoje, é o maior construtor de máquinas CNC da América do Norte. Há quinze anos, Haas iniciou uma equipa de NASCAR. Hoje, a Stewart-Haas Racing tem dois campeonatos Monster Energy NASCAR Cup Series e trinta e seis vitórias. Há um ano, a Haas F1 Team estreou-se no Campeonato do Mundo FIA de Fórmula 1, tornando-se na primeira equipa americana em trinta anos. Agora, prepara-se para a sua segunda temporada, apontando para melhorar o seu excelente oitavo lugar no Campeonato de Construtores de 2016.

 

Procurar um desafio. Criar uma boa solução, eficiente e economicamente viável. É a fórmula de Gene Haas para o sucesso.

O empreendedor em série e magnata das máquinas CNC gozou um primeiro ano na Fórmula 1 como dono de equipa incrível. A Haas F1 Team calou os cépticos ao somar pontos no seu Grande Prémio de estreia, na Austrália. O piloto veterano Romain Grosjean terminou no sexto posto, colocando os estreantes num surpreendente quinto lugar no Campeonato de Construtores e suplantando equipas com décadas de experiência. A última vez que uma equipa tinha garantido pontos no seu Grande Prémio de estreia tinha sido em 2002, quando Mika Salo terminou no sexto lugar, pela Toyota, o Grande Prémio da Austrália, tinham já passado catorze anos.

 

Grosjean melhorou a sua performance no Grande Prémio da Austrália ao terminar a corrida seguinte – o Grande Prémio do Bahrein – no quinto lugar. Desde que a Shadow – outra equipa americana – estreara em 1973 que nenhuma outra equipa terminara nos pontos duas vezes consecutivas, então o californiano George Follmer terminara duas vezes no sexto posto nas duas primeiras corridas da temporada.

 

O oitavo lugar de Grosjean no quarta corrida da temporada – o Grande Prémio da Rússia – rendeu mais alguns pontos. Três resultados nos pontos nas quatro primeiras corridas concedeu à Haas F1 Team a distinção de ser a equipa que mais pontos somou de todas as estreantes do novo milénio. Quando a Jaguar se estreou em 2000 e a Toyota entrou em cena em 2002 cada uma delas conseguiu apenas dois resultados nos pontos nas suas respectivas primeiras temporadas.

 

Apesar do seu ano de estreia na Fórmula 1 ter sido um desafio bem-sucedido, pouco pode ser reflectido na segunda temporada da Haas F1 Team. O novo carro foi construído de acordo com um novo regulamento, que inclui um pacote aerodinâmico mais evoluído que criará um nível mais elevado de apoio aerodinâmico devido a um nariz mais longo, uma asa dianteira mais larga, derivas laterais mais largas, flancos alargados, uma asa traseira mais baixa e mais larga e um difusor mais expandido em cinquenta milímetros na altura e na largura. Para incrementar estas alterações, estarão disponíveis pneus mais largos, sessenta milímetros à frente e oitenta a trás.

 

Adaptar-se a estas modificações enquanto, simultaneamente, tenta melhorar a marca que deixou em 2016 é a prioridade da Haas F1 Team. É outro desafio em que outro grupo de boas soluções e economicamente viáveis serão implementadas. Um ciclo que Haas usou para fazer crescer a Haas Automation até uma companhia de milhares de milhões de euros e a Stewart-Haas Racing numa equipa de NASCAR vencedora.

 

De que forma Haas conseguiu que estas entidades escalassem até ao topo da montanha e o que vê ele no futuro da Haas F1 Team? Vamos ver o que ele próprio tem para dizer.

 

 

Olhando para o seu primeiro ano na Fórmula 1, de que forma o classifica?

“Penso que foi uma entrada na Fórmula 1 muito bem-sucedida. Alcançámos todos os nossos objectivos principais e, na verdade, as expectativas que tínhamos no início da temporada.”

 

A primeira temporada na Fórmula 1 teve algumas semelhanças com o primeiro ano na NASCAR, ou foram experiências totalmente diferentes?

“Bem o nosso primeiro ano na NASCAR foi uma tarefa verdadeiramente árdua. Andámos sempre nas últimas posições e por aí nos mantivemos por seis anos seguidos e nunca tivemos muita sorte. Começámos na NASCAR em 2002 e a competição de pilotos e de equipas eram intensas e tivemos dificuldades.”

 

A lições aprendidas com a aventura da NASCAR foram importantes para aplicar na primeira temporada da Haas F1 Team?

“Sim. Tudo o que aprendemos com os erros na NASCAR aplicámos na Fórmula 1 para evitar repeti-los e o mais importante é verificar imediatamente o que funciona e o que não funciona. Aprendemos da forma mais dura na NASCAR, portanto, quando fomos para a Fórmula 1 o nosso foco não era tanto a forma como fazíamos as coisas, mas sim quem as fazia.”

 

A primeira temporada da equipa foi o que esperava ou houve algumas coisas que o surpreenderam?

“Fiquei um pouco surpreendido por marcarmos pontos no início. Em Melbourne terminámos em sexto – é algo quase desconhecido na Fórmula 1, uma equipa marcar tantos pontos na sua primeira corrida.”

 

Qual foi o momento em que sentiu maior orgulho?

“Penso que, seguramente, Melbourne, dado que era a nossa corrida de estreia e marcar pontos foi como garantir um recorde. Certamente que Melbourne se eleva perante qualquer outra corrida da temporada, apenas porque marcámos pontos na estreia.”

 

Houve algum momento em que pensou, “no que me vim meter”?

“Claro que houve! Quando iniciámos o projecto de Fórmula 1, toda a ideia passava por sermos nós a fazer tudo. Seríamos um construtor tradicional – faríamos o nosso chassis, suspensão, componentes e pacote aerodinâmico. Mas era uma empresa massiva, portanto, fizemos uma pequena marcha-atrás e disse, ‘OK, com quem poderemos fazer uma parceria?’, dado que é uma tarefa monumental, não existe qualquer possibilidade de a concluir em oito ou nove meses que tínhamos para fazer. Portanto, tivemos que alterar a estratégia completamente. Foi assim que acabámos por efectuar uma parceria com a Ferrari.”

 

Como acha que a Haas F1 Team era vista antes do início da temporada e que percepção considera que motiva hoje?

“Inicialmente existia um enorme cepticismo. Penso que muitas pessoas consideravam, seguramente, que rodaríamos todo o ano no final do pelotão. Tivemos muito apoio da parte da NBC Sports e de todo o pessoal das transmissões. Penso que no final da temporada silenciámos os nossos críticos e, agora, a maior parte das pessoas veem-nos como um competidor sério.”

 

Para além do desafio desportivo da Fórmula 1, havia também uma questão de negócio para a sua companhia, ficou envolvida na Fórmula 1. Disse que queria que a Haas Automation se tornasse numa marca premium e global através da Fórmula 1. Muito embora as marcas não sejam construídas de um dia para o outro, sentiu um crescimento global na Haas Automation graças à Haas F1 Team?

“Estar presente na Fórmula 1 oferece um nível de credibilidade que não se alcança através da publicidade tradicional. As pessoas gostam que lhes mostrem o que se pode fazer, do género, mostrem-me o que podem fazer e depois acredito em vocês. Isso traduz-se bem no mundo das máquinas CNC, dado que se conseguirmos competir com carros, também conseguimos construir máquinas. Foi esse o conceito inicial – convencer as pessoas da nossa habilidade para fazer coisas que outros não conseguem e penso que isso se reflecte em nós enquanto construtores de máquinas CNC de nível mundial.”

 

Foi uma tarefa hercúlea preparar o primeiro ano, mas com um novo carro e um novo regulamento, 2017 será um também um grande desafio?

“Penso que terá aspectos positivos e aspectos negativos. Do lado positivo, desta vez não estamos a tentar criar uma equipa de mecânicos. Não temos que nos preocupar com camiões e infraestruturas. Temos tudo no sítio. Do lado negativo, temos menos tempo para fazer tudo de novo e existe uma enorme mudança no regulamento, e temos que estar preparados. Por outro lado, temos uma relação mais forte com os nossos fornecedores, o que deverá tornar tudo mais fácil. Há um certo equilíbrio entre os aspectos positivos e os negativos. Será um desafio tão grande como o do ano passado, mas penso que, com o conhecimento que adquirimos, deveremos operar de uma forma mais efectiva este ano.”

 

O que gostaria de alcançar em 2017?

“Se conseguirmos melhorar um pouco, dado que o nosso modelo de negócio na Fórmula 1 permite-nos operar de uma forma mais eficiente, talvez possamos ganhar uma ou duas posições (n.d.r.: no Campeonato de Construtores).”

 

Mostrou que ficar parado não algo que faça, quando alterou a dupla de pilotos para 2017, uma vez que Kevin Magnussen ingressou na equipa, passando a trabalhar com Romain Grosjean. Quais são as características que o atraem no Magnussen?

“Bem, o Magnussen era um dos candidatos originais à nossa equipa. Conversámos com o Magnussen, analisámos o seu currículo nas corridas e ficámos impressionados. Perto do final da temporada, perguntámos ao Kevin se ele estaria disponível e ele respondeu que sim. Na penúltima corrida da temporada, tomámos a nossa decisão e trouxemo-lo para a Haas F1 Team.”

 

Cresceu em Youngstown, Ohio, estudou no sul da Califórnia e começou a Haas Automotion na sua garagem. A Haas Automation é agora o maior construtor de máquinas CNC da América do Norte, a sua equipa da NASCAR venceu dois campeonatos e construiu a primeira equipa de Fórmula 1 em trinta anos. Olhando para trás, consegue apreciar o alcance dos seus feitos ou está constantemente a olhar para a frente?

“Não olho muito para isso. A indústria da máquinas CNC é um negócio muito duro, e as corridas também são muito duras. Apenas as pessoas que chegam ao topo são recordadas, e é um negócio de muita competição, tal como a indústria de máquinas CNC. As corridas são duras e as máquinas CNC são duras, mas ambas iniciaram muitos dos nossos outros negócios, como a Windshear, o nosso túnel de vento à escala real com tapete rolante, situado na Carolina do Norte. Penso que tanto na indústria das máquinas CNC como nas corridas o melhor atributo é a teimosia e a vontade de nunca desistir. Entrar em corridas e trabalhar nas máquinas CNC foi a forma como comecei, portanto, ambas têm andado sempre de mão dada. São as coisas que melhor conheço. Tenho sido bem-sucedido, apesar do ambiente incrivelmente competitivo.”

 

Quando foi que o vírus das corridas o mordeu e quando foi que combinou a sua paixão pelas corridas com as máquinas CNC?

“Estava na universidade quando fui trabalhar para a LeGrand, uma empresa de carros de corrida. Um dos meus primeiros trabalhos foi maquinar jantes de magnésio para carros de corrida. Tinha dezasseis anos quando o (Red) LeGrand me disse, ‘está aqui este torno. Vou mostrar-te como se fazem jantes’. Então ele mostrou-me e deu-me algumas dicas e, um mês depois, estava sozinho a fazer jantes a partir do magnésio. Podia afinar as máquinas, usá-las, portanto, eu era o responsável por maquinar magnésio e era isso que fazia. Não demorou muito até ficar envolvido com as pessoas das corridas. O topo do automobilismo de então era a Fórmula 5000. Na verdade, fui ao Grande Prémio de Long Beach de 1975 para depois ir ao Grande Prémio de Fórmula 1 de 1976, que se realizou durante quase dez anos. Depois de estudar vi algumas dessas corridas de muita visibilidade.”

 

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