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Évora é surpresa maior em percurso pleno de história

Évora é surpresa maior em percurso pleno de história

Um interior cheio de novidades

Com muitas novidades, surpresas bem guardadas e a promessa de mais uma edição memorável, a Apresentação Oficial do 22.º Portugal de Lés-a-Lés levou mais de 500 motociclistas à Figueira da Foz para o pontapé de saída de mais uma edição da grande maratona mototurística organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. Dia bem empregue pelos muitos que se deslocaram ao Malibu Foz Hotel, tendo como anfitriões Manuel Marinheiro, presidente da FMP, e Fernando Cardoso, Chefe do Gabinete de Apoio à Presidência da edilidade figueirense, para ficar a conhecer os traços gerais de um percurso que regressa ao interior do País depois da inovadora versão litoral em 2019 bem como para concretizar a inscrição.

Oportunidade única para rolar na dianteira do heterogéneo e muito colorido pelotão que, uma vez mais, deverá ultrapassar as 2000 motos, rumo a aventura com arranque marcado para Lagos. Daquela que foi em tempos a mais importante cidade do Algarve, de onde partiram as naus e caravelas para dar novos mundos ao Mundo, vão partir agora os aventureiros à descoberta de um Portugal diferente, pouco conhecido, longe das mais conhecidas rotas turísticas e sem tocar em autoestradas, SCUT’s, Itinerários Principais ou Secundários. Demanda que começa logo a 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com o Passeio de Abertura, curto de 65 quilómetros, a revelar tesouros do concelho lacobrigense, enaltecidos por Paulo Jorge Reis, vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos. Das grutas bem escondidas ao longo da costa e onde se chega apenas de barco ao ‘mercado dos escravos’, do Museu de Cera à Ponta da Piedade, para rumar ao centro de Lagos através de campos de golfe, ajudando a melhor perceber o contraste face aos dias seguintes.

De Lagos, junto aos baluartes da muralha, do mesmo local onde arrancou a edição de 2004, será dada também a partida para a 1.ª etapa, no dia 11 de junho, feriado do Corpo de Deus, que levará a caravana até à histórica cidade de Évora. Novidade guardada até à última hora, em tirada apresentada como «tranquila e bastante relaxada, com grande variedade de paisagens entre a serra de Monchique e as vastas planícies cerealíferas» cumprindo 300 quilómetros ao longo de cerca de 9 horas. Entre condução e paragens nos muitos Oásis, incluindo os muitos que a BMW Motorrad Portugal vai instalar, anunciados pelo novo Country Manager da marca, Rogério Mota, tempo para conhecer o Autódromo Internacional do Algarve subir ao alto da Foia, descobrir a barragem de Santa Clara-a-Velha onde o rio Mira é represado bem perto da sua nascente, e a barragem do Monte da Rocha. Mas também vilas incontornáveis do mapa alentejano como Messejana, Aljustrel, Alfundão, Ferreira do Alentejo ou Alvito, com tempo para ver o deslumbrante santuário de Nossa Senhora de Aires. Pontos altos de um dia que termina em cidade que foi declarada pela UNESCO como Património da Humanidade, com palanque instalado na monumental Praça de São Francisco.

Surpresas guardadas nas páginas do livro de todas as revelações

No dia seguinte, 12 de junho, o ‘road-book’, livro que vai revelando toda a riqueza do percurso, com a história dos locais atravessados e explicações sobre a fauna, flora ou etnografia locais, indicará o caminho entre Évora e a Guarda. Cerca de 370 quilómetros entre a Ebora Liberalitas Julia do tempo dos romanos até à cidade dos 5 F’s – forte, farta, fria, fiel e formosa – num dia que Cecília Amaro, vereadora da edilidade egitaniense antevê como «um passeio altamente até à cidade mais alta de Portugal». Vimieiro, Avis e o seu belo centro histórico, Vale do Açor, Gavião, Belver ou Mação são alguns dos pontos que ajudam a traçar o mapa do dia, com algumas surpreendentes curiosidades pelo caminho como a ribeira de Sume. Designação dada a um troço da Ribeira de Sor que, em determinada altura desaparece literalmente debaixo do solo (fica sumida ou sume-se) naquela que é uma das maiores grutas graníticas da Península Ibérica. Dia de contrastes com a passagem do Tejo, na ponte de Belver, construída em 1905, a funcionar como zona de transição entre o Alentejo e os pinhais e eucaliptais da região centro, fortemente atacados pelos incêndios dos últimos anos e onde é possível, com boa vontade e tempo, descobrir algumas das muitas casas de xisto que moldavam a imagem da região. Tempo ainda para apreciar a homenagem feita pelos motociclistas da pequena aldeia de Tinalhas, recordando o santo padroeiro dos motociclistas, Arcanjo São Rafael, e evocando a memória do Padre Zé Fernando, bem conhecido de toda a comunidade motard. Apoio espiritual para o resto da tirada por S. Vicente de Beira, atravessando o vale do Zêzere antes da subida para a Serra da Estrela, através de Unhais da Serra, com passagem pelos covões do Ferro e da Mulher antes da visita a Piornos e Manteigas em preparação para a chegada ao palanque montado junto aos Paços do Concelho.

Derradeiro dia do 22.º Portugal de Lés-a-Lés, a 3.ª etapa será a rainha da edição de 2020, com muitas curvas e sobe-e-desce constante ao longo de 350 quilómetros de paisagens grandiosas. Com muitos carvalhais, soutos e outras árvores autóctones e quase nada de eucaliptos, o dia começa com a descida a Pinhel onde o presidente da autarquia, o dinâmico e bem conhecido motociclista Rui Ventura, promete receção à medida da grande aventura. Tempo de recordar sensações da visita à Anta de Pêro do Moço, de conhecer um castanheiro gigante ou visitar Pinhel, a ‘Cidade Falcão’ recentemente eleita como a Cidade do Vinho 2020. De vinhos e vinhedos muito se falará ao longo de uma jornada que passando o Vale do Coa, subirá à aldeia histórica de Castelo Rodrigo e depois a Barca d’Alva antes de descer até ao Douro Internacional. Freixo de Espada-à-Cinta, Mazouco, Mogadouro, barragem do Azibo, Podence e os famosos caretos que são Património Imaterial da Humanidade desde o ano passado, Torre Dona Chama e Segirei o outras visitas previstas antes de… internacionalização. Momento agendado para Fervenza da Cidadella já na província espanhola de Ourense em saltinho ibérico com regresso à Lusitânia a tempo de conhecer o fenómeno da pedra bolideira ou o abandonado castelo de Monforte de Rio Frio. Quase a completar o intenso périplo descerá então a caravana até à Aquae Flaviae dos romanos, rumo ao palanque final montado na histórica Ponte de Trajano, Chaves do contentamento de todos os aventureiros após três dias de viagem e descoberta pelas mais recônditas estradas nacionais e municipais desde Lagos. Com a certeza de que, em 2021, voltarão a Chaves para arrancar para mais uma edição do Portugal de Lés-a-Lés, rumo a terras algarvias.

 

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