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Informação e segredos no terceiro aniversário da Cápsula do Tempo

Informação e segredos no terceiro aniversário da Cápsula do Tempo

 

 

A verdade e a mentira, a importância da informação, os meios usados para passar a informação pretendida numa sociedade democrática, e os interesses que estão por detrás da informação e do conflito foram alguns dos temas abordados por Jorge Silva Carvalho na conferência “O segredo e a informação estratégica em Democracia”, que assinalou o terceiro aniversário da Cápsula do Tempo Guarda 2050.

 

No auditório da Associação Comercial da Guarda (ACG), o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e atualmente Consultor em Estratégia e Segurança Económica explicou que “Por detrás de qualquer situação de natureza militar da História, sempre esteve, na sua génese, uma questão económica relacionada com a independência de alguém, de um reino de ou de uma pessoa. O pilar económico sempre foi o mais importante de todas as guerras em todas as zonas do mundo”.

 

A necessidade deste poder mantem-se até aos dias de hoje, mas difere na forma e na força da informação: “o principal desafio que as sociedades modernas têm é o da perceção. Se há 30 anos atrás o paradigma se mantinha como nos últimos 800 anos, que era da falta de informação, da incerteza, hoje o paradigma é a velocidade, é o excesso de informação. Não nos falta informação, mas a capacidade de a gerir e filtrar. A melhor forma de mentir não é omitir a verdade, é enterra-la debaixo de qualquer coisa”.

 

Jorge Silva Carvalho transportou os exemplos da segurança dos estados para o foro da sociedade em geral e deu, a título de exemplo, as redes sociais e os noticiários, que por detrás da informação têm sempre um interesse e conseguem fazer ouvir-se: “A imagem da violência terrorista é uma imagem vendida para promover o terrorismo. Ninguém resiste a ir ver”, referiu.

 

Sobre a sociedade atual onde qualquer pessoa publica qualquer informação, mesmo de índole privada, e recebe informação manipulada ou errada, Jorge Silva Carvalho deixa o alerta: “Sejamos o palco, mas um bom palco e um público informado, que questiona e levanta dúvidas mais do que o que é dito”.

 

O terceiro aniversário foi assinalado com outras ações. Antes da conferência, na Encosta do Tempo, junto à Torre de Menagem, o historiador e investigador da Guarda, Manuel Luís dos Santos, cinzelou a pedra 2016 do Passeio do Tempo, revelando alguns factos históricos sobre a Guarda. Uma nova árvore foi plantada na encosta com ajuda dos presentes, desta vez um azevinho.

 

Após a conferência, Miguel Alves, presidente da ACG, apresentou a quarta chávena de coleção da autoria do arquiteto António Saraiva, que tem como novidade um código que cabe a cada um decifrar. A chávena de 2016 e as anteriores, desde o encerramento da Cápsula do Tempo encontram-se disponíveis para venda.

Rui Isidro, diretor da Rádio Altitude, explicou o convite a Jorge Silva Carvalho: “Já sabem que não somos de meios termos. Podendo chamar os melhores, por que não havemos de fazê-lo? O convite a Jorge Silva Carvalho foi a um dos maiores especialistas europeus na área da informação estratégica, que nos ajudou a perceber e a desmistificar o papel dos serviços de informações nas democracias. Tratou-se de uma conferência rica em revelações, mesmo que nenhum segredo tenha sido desvendado, feita num registo de grande proximidade que fez também cair o estereótipo do chamado “agente secreto”. Jorge Silva Carvalho é uma pessoa culta, conhecedora, bem preparada e com enorme sentido de Estado. E um grande comunicador”.

 

Luís Celínio, presidente do Clube Escape Livre, considera que “em mais um ano de comemorações do projeto estamos muito satisfeitos e saímos mais enriquecidos com a informação transmitida por uma figura que fala com conhecimento de causa, e cujo convite partiu, este ano partiu da Rádio Altitude. É importante continuar a colocar a Guarda no mapa das iniciativas, do debate e da informação, e continuar a promover a mobilização das pessoas em torno desta região.”

 

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